Galaxy S4 por $249 na AT&T

Realmente a Apple precisa fazer um iPhone mais barato.

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Facebook Phone ou Widget?

Facebook acabou de convidar a imprensa especializada para falar sobre a “nova casa deles no Android. Josh Constine, do Tech Crunch, revela que é possível que a gigante das redes sociais vai mostrar um smartphone da HTC com uma versão do Android bem modificada:

Sources tell us it will be a modified version of the Android operating system with deep native Facebook functionality on the homescreen that may live on an HTC handset. The evidence aligns to say this is the Facebook Phone announcement people have been speculating about for years.

Duas perguntas:

  1. Outros fabricantes que usam Android fizeram lançamentos mas não mencionam o OS do Google. Facebook, por sua vez, deixou bem explícito no convite. Será que o anúncio é para falar sobre uma integração mais profunda no Android (assim como no iOS) do que o Android modificado? Tá me cheirando um widget nativo… Blergh
  2. Como fica a parceria do Facebook com a Apple? A Maçã vem numa guerra termonuclear com Google já tem tempo…

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iRadio vai ser lançado pela Apple

Enquanto o mundo todo só fala sobre como será o próximo iPhone, iPad Mini com resolução retina até o unicórnio iWatch, tenho a impressão que a surpresa preparada pela Apple vai se chamar iRadio:

Much has been written about Apple’s plan to launch a Pandora-esque service this year. Now multiple music industry insiders have told The Verge that significant progress has been made in the talks with two of the top labels: Universal and Warner. One of the sources said “iRadio is coming. There’s no doubt about it anymore.” Apple is pushing hard for a summertime launch.

É só esperar para ver.

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Teoria das Janelas Partidas

A teoria das Janelas Partidas (ou Quebradas) é baseado no ensaio de criminologia e sociologia urbana chamado de Broken Windows (PDF) de James Q. Wilson e George L. Kelling que busca demonstrar que mesmo um leve ato de desordem pode escalonar para o vandalismo de um bairro todo:

Second, at the community level, disorder and crime are usually inextricably linked, in a kind of developmental sequence. Social psychologists and police officers tend to agree that if a window in a building is broken and is left unrepaired, all the rest of the windows will soon be broken. This is as true in nice neighborhoods as in run-down ones. Window-breaking does not necessarily occur on a large scale because some areas are inhabited by determined window-breakers whereas others are populated by window-lovers; rather, one unrepaired broken window is a signal that no one cares, and so breaking more windows costs nothing.

Vejam como o descaso muitas vezes é a razão do aumento da criminalidade e não a falta de policiamento. Para os cariocas, a Praça do Ó (Praça São Sebastião, no Jardim Oceânico) é um claro exemplo disso. Hoje em dia, toda noite a praça é tomada por viciados em drogas e prostitutas, em razão do aparente abandono do entorno (durante o dia a praça ainda é utilizada para uma feira de artesanato).

Tudo começou quando a Boate Zodíaco fechou e foi abandonada (Google Street View).

O tal artigo serviu de base para o livro Fixing Broken Windows: Restoring Order And Reducing Crime In Our Communities de George L. Kelling e Catherine Coles que, por sua vez, afirma que para se ter mais chances de prevenir o vandalismo é necessário que resolva os problemas quando ainda são pequenos. O ato de reparar ou consertar as janelas serve como uma metáfora e a ideia se aplica, por exemplo, ao limpar as ruas sempre que estiverem sujas, de modo que possa prevenir problemas de escoagem da água das chuvas, empoçamentos, aparecimento de vetores de doenças etc.

O cuidado com os entornos tendem, na teoria, a reprimir ou diminuir o crime de pequena escala ou comportamento anti-social, com o objetivo final de prevenir o crime de grande escala.

Ω

The Dark Knight e a Teoria dos Jogos

Se ainda não assistiu este clássico instantâneo das adaptações de quadrinhos para o cinema, saiba que a a crítica abaixo está recheado de spoilers, abordando todas as tramas, subtramas, reviravoltas etc. Se ainda for ver este filme, sugiro parar por aqui. Vá ver o filme e depois volte para ler a resenha.

Como já falado em outros dois posts, Batman Begins mostra o aumento explosivo da criminalidade em resposta às políticas socioeconômicas para aumento de empregos e diminuição da pobreza característicos da década de 1960, enquanto em The Dark Knight Rises mostra as políticas da década de 1980 de repressão ao crime e uma economia neoliberal levar a classe média à uma revolta contra o establishment e a população rica.

Batman Begins e The Dark Knight Rises são filmes reflexos um do outro, onde o primeiro mostra o fracasso das políticas liberais, e o outro sobre o fracasso das políticas conservadoras. Em meio a isso tudo, temos The Dark Knight que, ao meu ver, é o último filme desta triologia niilista¹ (ainda que seja o segundo filme do ponto de vista cronológico), que busca documentar a falta de esperança de uma sociedade além do que os lados liberais ou conservadores podem oferecer como solução.

Vamos lá, o filme começa mostrando a dificuldade que a sociedade tem para lidar com o Batman, onde a população se divide em aqueles que acham errado idolatrar o vigilante mascarado que transcende a lei para fazer justiça com as próprias mãos e aqueles que aprovam os resultados desta cruzada (incluindo o novo promotor, Harvey Dent). Esta nova forma de justiça do Cavaleiro das Trevas inspira (literalmente) uma onda de imitadores de segunda categoria.

Igualmente inspirado, Dent tenta fazer a sua parte processando os criminosos, usando o que o sistema judiciário tem de melhor e chega a prender todos os banqueiros dos mafiosos (exceto o chinês Lau que foge de volta para a China). A caçada continua atrás dos próprios mafiosos, começando com Maroni, novo chefe da máfia (que assumiu o lugar de Falcone, preso em Batman Begins). Politicamente, Dent consegue chamar atenção, mas os resultados não parecem promissores, uma vez que novos bandidos surgem para assumir o lugar daqueles presos por Dent.

Dent, então, decide que a única maneira de causar algum estrago nos planos da máfia é prendendo todos os bandidos de uma vez e criar um vácuo nas ruas sem os criminosos, ainda que com base em acusações que consiga manter apenas os bandidos mais fuleiros presos (os mais poderosos, com bons advogados, conseguirão liminares e habeas corpus para responderem em liberdade). Esta passagem server para mostrar que Dent não se importa em quebrar regras, desde que resolva o problema (Consequencialismo), novamente se mostrando inspirado no Batman.

Ao conhecer Bruce Wayne pela primeira vez, Dent fala sobre a necessidade de modificar (ou quebrar) as regras para o bem da sociedade citando os Romanos que, durante a República, suspenderam a democracia para proteger Roma (embora a Rachel completa dizendo que os Romanos, eventualmente  perderam a democracia com o nascimento do Império). Dent vai além e diz que este é um problema inato dos heróis (e do Batman), o que ele espera consertar quando assumir o manto do Batman, ainda que por dentro do sistema como um promotor de justiça:

You either die a hero or you live long enough to see yourself become the villain.

O problema dessa empreitada toda é que ele está pondo todo o sistema na alça de mira. O prefeito de Gotham alerta que a carreira dos dois vai para o brejo se esta tática não der certo, prevendo que o problema ficará fora de controle quando todos aqueles que tem o que ganhar com a corrupção começarem a sentir os bolsos mais leves:

The mob, politicians, journalists, cops — anyone whose wallet’s about to get lighter.

Da mesma forma que Dent se mostra frustrado com o sistema judicial, o Coringa se sente frustrado com os criminosos atuais e propõe que eles precisam ir além do que tem feito:

The Chechen: What do you propose?

The Joker: It’s simple. We, uh, kill the Batman.

Depois do choque causado com uma proposta aparentemente absurda, o Coringa se oferece para resolver o problema Batman por uma quantidade proibitiva de dinheiro, que os mafiosos acabam, eventualmente, aceitando. Essa proposta mostra como o Coringa é obssecado com a ideia do homo economicus², o que pode ser percebido quando os mafiosos perguntam a razão de tanto dinheiro (ou do simples fato de cobrar dinheiro) para matar o Batman e ele responde:

Like my mother used to tell me: if you’re good at something, never do it for free.

Vale lembrar que o filme começa com o Coringa tendo contratado 5 bandidos para roubar um dos bancos dos mafiosos da seguinte maneira: Dopey desliga o alarme, Happy mata o Dopey e abre o cofre, Grumpy mata o Happys e põe todo o dinheiro nas bolsas, Grumpy é atropelado pelo ônibus usado na fuga. Bozo, finalmente, mata o motorista e tira a máscara revelando ser o Coringa. Esta primeira dinâmica é o famoso pirate game e, assim como na teoria, permite que o Coringa fique com todo o dinheiro após um elaborado plano de eliminação. Batman, ainda usando a tática de impor medo, tenta rastrear o Coringa ameaçando Maroni, o que pouco serve pois o mafioso explica que o Coringa não é preso à nenhuma regra e, por isso, é totalmente imprevisível, o que impede que qualquer um abra o bico para dedurar o palhaço:

No one’s gonna tell you anything — they’re wise to your act — you got rules. The Joker, he’s got no rules. No one’s gonna cross him for you.

Esta loucura do Coringa é planejada e conhecido como o teorema de Davies-Folk: a coisa racional a se fazer é parecer ser irracional para que o seus oponentes não contem com a hipótese de que você faça algo racional. Alfred rapidamente percebe a relação do Coringa com um bandido da época em que ele trabalhava para o governo de Burma (ou Myanmar) e conta seguinte história:

I was in Burma. A long time ago. My friends and I were working for the local government. They were trying to buy the loyalty of tribal leaders, bribing them with precious stones. But their caravans were being raided in a forest north of Rangoon by a bandit. We were asked to take care of the problem, so we started looking for the stones. But after six months, we couldn’t find anyone who had traded with him. (…) One day I found a child playing with a ruby as big as a tangerine. (…) The bandit had been throwing the stones away. (…) Some men just want to watch the world burn.

Vejam o paralelo nesta história e o modus operandi do Coringa. O bandido se mostrou mais doido que o próprio plano do governo de Burma (já baseado numa premissa maluca e, totalmente, corrupta: subornar pessoas) e fez algo tido como irracional (jogar as pedras preciosas fora), mas totalmente racional (evitou o suborno), impedindo que a lealdade da população fosse comprada. Da mesma forma, quando o Coringa finalmente põe as mãos no dinheiro, ele simplesmente põe fogo na fortuna (ato irracional que põe todos os mafiosos no “bolso” dele, por se tratar de  um homem irracional, inconsequente e louco – quem é que vai enfrentar um sociopata destes?).

Enquanto isso, Dent começa a desviar da sua retidão como promotor quando ele sequestra um dos comparsas do Coringa e tenta arrancar informações através de ameaça. Num último instante, Batman intervém e impede que Dent destrua a sua própria credibilidade como promotor mostrando que este estilo de interrogação é algo que somente o Batman pode fazer (por já estar à margem da sociedade).

Já no clímax do filme, Batman confronta o Coringa no meio das ruas de Gotham numa verdadeira disputa de faroeste, conhecido como o  jogo da galinha (ou chicken): o Coringa sabe que o Batman respeita uma só regra (não mata nenhum bandido) e encoraja-o a quebrá-lo e matá-lo, mas quando o Batman está prestes a atropelar o Coringa com o batpod, ele se desvia no último instante e acaba caindo e sendo pisoteado pelo Coringa, em clara comemoração sabendo que “quebrou” o Batman.

Na sequência, Jim Gordon aparece de surpresa e rende o Coringa que é levado à carceragem da polícia de Gotham. Num “pré” interrogatório feito pelo Batman, essa única regra é abusada quando o Coringa mostra que, apesar de trabalhar à margem da sociedade, na verdade o Batman é mais um elemento controlado por esta sociedade:

To them you’re a freak like me. They just need you right now. … But as soon as they don’t, they’ll cast you out like a leper. (…) Their morals, their code… it’s a bad joke. Dropped at the first sign of trouble. They’re only as good as the world allows them to be. You’ll see — I’ll show you… You have these rules. And you think they’ll save you. (…) [But ] the only sensible way to live in this world is without rules.

Ainda nesta sequência, o Coringa caçoa de Gordon dizendo que ele não tem qualquer controle sobre a equipe dele (Polícia) e, na verdade, todos “trabalham” para Maroni, provocação esta conhecido como o clássico problema do principal-agente (diz respeito às dificuldades em motivar uma parte (o “agente”) para agir no melhor interesse de outro (o “principal”), em vez do que em seus próprios interesses):

Does it depress you, Lieutenant, to know how alone you are?

Ainda preso, Batman arranca do Coringa que tanto Dent como Rachel foram sequestrados e estão em localidades diferentes prontos para serem explodidos, mas que o Batman só tem como salvar um dos dois (exemplo de custo de oportunidade). Batman escolhe salvar seu amor de infância e sai em disparada para o endereço correspondente indicado pelo Coringa, apenas para descobrir que o próprio Coringa trocou os endereços (essa disputa e o desfecho dela se parece com o jogo Battle of Wits do filme The Princess Bride). Rachel morre e Dent é salvo, mas com metade do rosto queimado por conta da gasolina utilizada como explosivo, assim se transformando noutro vilão clássico – Duas Faces (clássico bipolar, mas exageradamente caricato).

Outra situação interessante no filme é quando Reese, empregado da Wayne Enterprises resolve ir à público (e num talk show) para revelar a identidade do Batman, mas o Coringa resolve intervir ligando para a emissora numa tentativa de impedir a revelação. O palhaço propõe que explodirá um hospital cheio de paciente se não matarem o Reese (situação esta conhecida como o trolley problem: uma pessoa precisa decidir se é melhor deixar 100 morrem ou matar 1). Já no hospital, o Coringa se explica para o Dent:

Do I really look like a guy with a plan, Harvey? I don’t have a plan… The mob has plans, the cops have plans. … Maroni has plans. Gordon has plans. Schemers trying to control their worlds. I’m not a schemer, I show the schemers how pathetic their attempts to control things really are. It’s the schemers who put you where you are. You were a schemer. You had plans. Look where it got you. … Nobody panics when the expected people get killed. Nobody panics when things go according to plan, even if the plan is horrifying. If I tell the press that tomorrow a gangbanger will get shot, or a truckload of soldiers will be blown up, nobody panics. Because it’s all part of the plan. But when I say that one little old mayor will die, everybody loses their minds! Introduce a little anarchy, you upset the established order and everything becomes chaos. I’m an agent of chaos. And you know the thing about chaos, Harvey? … It’s fair.

Como esse monólogo Dent finalmente pira, cruza o limite dos seus princípios e começa uma caçada contra todos aqueles que ele culpa por serem responsáveis pela morte de Rachel: primeiro ele pega Weurtz no Bar que o tinha sequestrado, Weurtz entrega o Maroni que, por sua vez, entrega Ramirez, o que leva Dent a chegar na família de Gordon e, naturalmente, ao próprio Gordon.

Batman, por sua vez, também vai esticando o limite dos seus princípios e, numa última tentativa de rastrear o Coringa, transforma todo celular (antena) em Gotham numa espécie de sonar ou um aparato de espionagem, essencialmente.

O Coringa, numa última cartada, consegue deixar a cidade desestabilizada o suficiente para que uma boa parte da população tente escapar Gotham pelo catamarã, assim como a população carceraria de Arkham num outro catamarã. Quando as duas embarcações estão em águas profundas e longe da costa, o Coringa desliga as embarcações e apresenta cada um dos dois lados um controle remoto para detonar explosivos na outra embarcação, construindo o dilema do prisioneiro. Os passageiros cidadãos normais discutem o assunto e votam, enquanto noutra embarcação, um dos prisioneiros joga o controle pela janela, numa combinação de pacto de Ulisses (é uma decisão feita livremente com o objetivo de se atrelar ao resultado no futuro) e uma escolha dinamicamente inconsistente (o melhor plano de um jogador parece ser o ideal no presente mas se mostra que não é o ideal no futuro).

Num último jogo que me vem a mente (mentira, revi o filme algumas vezes para lembrar das cenas), Gordon prepara um hostage rescue team, mas Batman descobre que os bandidos são os “reféns” e os reféns os “bandidos”, numa excelente ilustração de “The Market for Lemons”, que explica a aparente facilidade imposta pelo Coringa para matar seus comparsas (porque você acreditaria que aqueles “bandidos” são os reais bandidos?). O resultado disso tudo é a intervenção eficaz do Batman salvando os reféns “bandidos”, impedindo o  SWAT de matar os reféns e captura dos bandidos “reféns”.

O desfecho do filme mostra Batman indo atrás de Gordon e tentando impedir que Dent mate a família do Comissário. Dent discursa e explica a sua nova filosofia:

You thought we could be decent men in an indecent time. You thought we could lead by example. You thought the rules could be bent but not break…² you were wrong. The world is cruel. And the only morality in a cruel world is chance. Unbiased. Unprejudiced. Fair.

The Dark Knight mostra o tempo todo as inúmeras tentativas dos personagens querendo alterar o curso do sistema: Batman, originalmente, acreditava que conseguiria inspirar a população de Gotham a lutar contra a corrupção, mas acaba pondo em risco os jovens que o imitam. Dent acreditava que podia limpar as ruas seguindo as regras do sistema judiciário, mas acaba jogando todos os seus princípios pela janela ao ser consumido pela sua obsessão pela igualdade e justiça e vira um monstro bipolar. Mas o melhor plano de todos era o do Coringa: ele é mais corrupto do que os corruptos poderiam imaginar e, assim, toma o lugar dos mafiosos oferecendo a Gotham uma classe melhor de criminosos (“a better class of criminal”).

No final, o plano do Coringa dá certo, ele continua vivo depois de toda o caos que causou, os mafiosos estão presos ou mortos, sem poder e sem dinheiro (que acabou sendo “distribuido” pelo fogo). Aliás, esse cenário é o perfeito pano de fundo para a aparente paz vista no começo de The Dark Knight Rises, onde os ricos (e políticos) não se sentem pressionados (nem corrompidos) pelos mafiosos, o que os deixa com o poder suficiente para adotar políticas duras contra o crime para que não surja outro “Coringa”.

O filme conclui que para Batman funcionar (ou, melhor, Dent ser entronizado como o “Cavaleiro Branco”) é necessário que o Cavaleiro das Trevas se torne o vilão. A grande sacada do filme é que o herói é o Coringa (ainda que não apresente os traços característicos de um herói). Veja que ele apenas mata uma pessoa (com o truque do desaparecimento do lápis no começo do filme) e, através do seus caos inspirado ele destrói os criminosos da cidade (aterrorizando a população neste meio tempo, é claro). Batman consegue, temporariamente, prender o Coringa, resolver o problema de corrupcão e criminalidade que infesta a cidade, mas fica claro na cara do “zé das couves” que este tipo de passagem não é aceitável.

Finalmente no The Dark Knight Rises, Batman se vê sem solução para evitar que os criminosos fiquem cada vez piores (como se tentassem equilibrar as forças com um vigilante feito o Batman), o que o leva a fingir a sua morte e sair de cena voltando a ser aquele playboy de antes de Batman Begins.

Ω


  1. Conceito que mostra como os valores tradicionais se depreciam, onde tudo na sociedade é desestabilizado, sacudido, posto radicalmente em discussão.
  2. Homo Economicus é um conceito de muitas teorias econômicas onde o ser humano é tido como um ator racional e, por vezes, egoísta, e que tem a capacidade de fazer escolhas ou julgamentos que atendam os seus fins subjetivamente definidos. Este conceito é em contraste com o Homo Reciprocans que afirma que os seres humanos são motivadas, principalmente, pelo desejo de ser cooperativo e querer melhorar seu ambiente.
  3. Esta transcrição é a versão do roteiro, mas acabou sendo levemente editada na montagem final do filme.

Forecast

Forecast:

We’re extremely excited to announce the launch of Forecast, a new global weather service.

About a year ago, we released a little app for the iPhone and iPad called Dark Sky, attempting to do something new and interesting for weather forecasting, a field we think had become pretty stagnant. Approaching 100k sales, it’s been fairly successful; however, we’ve been continually asked for more: international support, longer-term forecasting, an Android app, and so on.

Rather than cram these things into Dark Sky, we decided to do something grander: create our own full-featured weather service from scratch, complete with 7-day forecasts that cover the whole world, beautiful weather visualizations, and a time machine for exploring the weather in the past and far future. You can access it from all of your devices, whether it be your laptop, iPhone, Android phone, or tablet.

Eu já conhecia o Dark Sky, mas não usava por não ter suporte para o clima do Brasil (se não me engano o app é limitado aos EUA, Canada e UK).

A plataforma web deles é absurda e já está otimizado para tablets e smartphones. Vale a pena testar.

Ω

Surpresa! Eric Schmidt usa Blackberry.

Ele gosta do teclado. Que trouxa:

Who’s the person you’d least expect to discover is a BlackBerry user? How about the executive chairman of the company whose software has been crucial in eroding the Canadian company’s position in the consumer market?

That’s right: Eric Schmidt uses a BlackBerry. Why? He likes the keyboard, he says.

Surpresa?

Ω

Samsung, BBC News e o Jornalismo (im)Parcial

Saca só o artigo na BBC News, dizendo que a marca Apple é menos inspiradora. De primeira tem duas coisas erradas: primeiro, a marca não é inspiradora, e sim a companhia e, segundo, a Apple continua como a principal marca a ser batida, o que demonstra o nível de inspiração causado nos concorrentes:

Smartphone rival Samsung is now seen as equally “inspiring” in the US, says the survey by consultancy Added Value.

É bom lembrar que Added Value é uma subsidiária da WPP. A WPP, por sua vez, é a agência de publicidade da Samsung.

Bacana que a reportagem não se dá o trabalho de mencionar este detalhe no artigo sobre a pesquisa.

BBC News já foi melhor.

Ω

Batman Begins

Naturalmente, a crítica está recheada de spoilers, tanto sobre Batman Begins como sobre The Dark Knight Rises¹.

A década de 1980 é marcada por uma força global do mal (illuminati?) que, através das corporações e governos, conseguiram instituir políticas socioeconômicas que causaram efeitos nefastos e agravaram a desigualdade, fazendo com que os ricos ficaram mais ricos e os pobres mais pobres, com níveis descomunais de desemprego.

A diferença é que no universo do Batman, o principal bilionário de Gotham (Thomas Wayne) não consegue ver e suportar este sofrimento e começa a investir maciçamente na cidade, já que o governo não faz nada. O símbolo deste investimento é a construção de um super trem que liga a cidade inteira em uma tentativa desesperada de aumentar os postos de trabalho para a cidade voltar a prosperar, num claro exemplo da política econômica keynesiana. Mas, numa reviravolta digna de ficção (de comic books em especial), Thomas Wayne e a sua esposa, Martha Wayne, acabam assassinados por um desesperado e miserável ​​cidadão que ele tanto tenta ajudar. Ironia do destino?

O assassinato dos bilionários deixa a população de Gotham estarrecida, o que leva a cidade a mudar sua política socioeconômica e adotar o neoliberalismo. Ou seja, ao invés do Estado intervir na sociedade com a estatização de empregos e, consequentemente, combater o crime que assola as ruas, o Estado prefere deixar a iniciativa privada prosperar e regular o mercado, o que acaba permitindo que a corrupção aflore e que criminosos dominem todos os setores da sociedade. Mas o neoliberalismo sem a vigília do Estado traz as suas consequências e, já a esta altura do filme, vemos que os governantes preferem tratar o crime como problema de saúde mental, e não como reflexo do próprio abandono do Estado.

Com a saída de cena dos bilionários, o crime organizando vai preenchendo as lacunas e tomando o seu lugar, seja comprando juízes, líderes sindicais e até policiais. Antes a cidade era liderada pelos investimentos da Wayne Enterprises, mas com a morte de Thomas Wayne, Gotham é abandonada e ‘administrada’ pelo mafioso Carmine Falcone. Não há política, seja keynesiana ou neoliberal, que ajude a cidade, quando se tem a corrupção infiltrada em todos os estratos da sociedade.

Alguns ainda permanecem honestos e incorruptíveis, como o tenente Gordon (polícia) e a assistente da promotoria Rachel Dawes que se recusam a serem comprados. Vemos a promotoria fazer um acordo para libertar o assassino dos Wayne’s em troca de um testemunho contra Falcone. Bruce Wayne, o filho único dos bilionários, não consegue entender esta prática habitual do sistema judiciário e, atormentado por seus demônios pessoais, parte para resolver a questão de maneira vingativa. Rachel Dawes não aceita tamanho egoísmo e diz que Bruce precisa enfrentar o problema de frente feito um homem e não um covarde, o que o leva a confrontar Falcone. Este momento é o divisor de águas para Bruce, após ouvir Falcone explicar que ele sempre viverá com medo daquilo que não entende. Bruce foge de Gotham e sai em busca para compreender os criminosos.

Essa busca leva Bruce até o extremo oriente onde conhece a Liga das Sombras e o mentor Ra’s al Ghul, que existe justamente por conta desta força global do mal e que foi a mesma que inventou o neoliberalismo. A tal liga tem um novo plano para ‘consertar’ Gotham e dessa vez não será pela ajuda filantrópica dos Waynes, nem mesmo as políticas neoliberais da livre iniciativa (e livre corrupção): o plano agora é atacar Gotham na esperança de infligir medo suficiente para que a cidade sucumba e recomece do zero².

No treinamento, Bruce, ainda assombrado pela execução sem sentido dos pais, se recusa a vestir o capuz de um executor e, ao invés, resolve tocar o terror internamente na Liga das Sombras. Passado a experiência, Bruce volta para Gotham e resolve mudar o status quo do medo. Ao invés da população sofrer com o medo imposto, Bruce resolve usar o medo a favor dele e da população criando a figura do Batman. Ele ajuda a Rachel Dawes a incriminar Falconce, recupera a sua empresa das mãos dos executivos corruptos e volta a ser o bilionário, igual ao seu pai.

O desfecho do filme e resultado de ações tomadas por Bruce, mas na ordem inversa daquelas vistas em The Dark Knight Rises. O ataque do Batman em Falcone inicia uma nova era de repressão ao crime, tira o crime organizado e violento das ruas, e devolve às corporações as chaves de Gotham (poder e riqueza).

Passado os eventos de The Dark Knight Rises, com o desaparecimento do Batman, o neoliberalismo volta a cena e reequilibra o mercado. Wayne Enterprises que, ao final de Batman Begins, passa a ser de capital fechado, volta ao mercado de ações e vira uma empresa de capital aberta e negociada livremente. A tal força do mal volta com Bane numa nova (continuada) tentativa de consertar Gotham libertando todos os presos de Blackgate Prison, ou seja, devolvendo à cidade o crime organizado³.

A construção das histórias não são ao acaso e a saga criada por Christopher Nolan termina com a suposta morte do Batman/Bruce Wayne o que permite a levar a vida que levava antes de virar um vigilante, nos levando ao começo de Batman Begins⁴. Se for ver, Batman não conseguiu fazer nada que tinha em mente que era consertar a cidade e livrá-la do mal.

Ω


  1. Batman Begins e The Dark Knight Rises são filmes antagônicos e uma série de cenas de ambos os filmes são idênticas. Como um filme completa o outro, entender o primeiro filme da saga ajudará a entender o desfecho do terceiro filme.
  2. Isto é uma alusão à queda do World Trade Center, onde a cidade de Nova Iorque teve que se reerguer (físico e emocionalmente) do zero. Além disso, esta alusão é um toque sutil para aqueles que acreditam que foi um trabalho encomendado (sim, a queda das torres foi demolição controlada – e merece um post exclusivo).
  3. Interesssante ver como a sociedade é controlada por uma força invisível. Quando políticos, empresários bilionários, mafiosos, sistema judiciário – qualquer um que tenha o poder em mãos – abusam de tal condição, esta força invisível do mal aparece e impede que o sistema mude. Corrupção e desigualdade social é sempre presente, independentemente de quem esteja no poder ou de qual política socioeconômica está em vigor.
  4. Os filmes são os mesmos, só que contados de forma inversa. Até construção do Robin em The Dark Knight Rises segue a mesma premissa do Batman – órfão frustrado com a violência e o descaso do Estado, resolve combater o crime – John ‘Robin’ Blake é órfão e quando se vê frustrado com a situação de Gotham resolve seguir os passos de Batman. Assim o ciclo jamais termina.

O que aconteceu em Dark Knight Rises

No último dia 3 de março, o Latino Review reportou que, numa clara resposta à Marvel e o sucesso dos Avengers, Christopher Nolan tinha sido contratado pela Warner Bros para tomar as rédeas do universo DC e coordenar todas as adaptações dos filmes da DC para a telona.

Ainda na notícia bombástica, El Mayimbe disse que Christian Bale voltaria como Batman num possível filme da Liga da Justiça ou num filme com Superman (World’s Finest).

A primeira parte desta história pode até acontecer, mas não veremos Christian Bale como Batman, pelo menos não o Batman construído por Christopher Nolan. Quer saber por quê? Tudo foi explicado no último filme do Cavaleiro das Trevas.

Mesmo com atraso, abaixo segue a minha interpretação dos acontecimentos do filme. Não há como destrinchar a história sem contar elementos e tramas do filme. Portanto, se ainda não assistiu o filme pare de ler aqui se não quiser que as surpresas do filme sejam estragadas.

A minha crítica tem mais a ver com as metáforas e discussões políticas do filme do que a continuidade (ou os erros).

Avisados? Vamos lá.

The Dark Knight Rises

O filme começa com um grande questionamento: o que acontece com políticas conservadoras que reinforça a lei e ordem através da força? A resposta é que tal política (sistema penal severo) destrói as próprias pessoas que a aplicam. Veja que sem ter com o que combater, Bruce Wayne vira um recluso destruído pelo conformismo, enquanto o Comissário Gordon também será destruído (com a eventual demissão que o ronda). Não há mais crime a ser combatido (pelo menos aqueles violentos e de rua – tráfico, crimes violentos, prostituição, roubo etc.) e com isso nós ficamos incomodado com a aparente destino dos dois personagens que mais simpatizamos na trilogia. Com 10 minutos de filme o dilema do primeiro ato já está estabelecido: aqueles que erradicaram o crime não gostariam de ter o feito.

Assim, numa cidade (ou mundo) onde não há crime violento, a polícia parece não saber como redirecionar a sua atuação e combater crimes de colarinho branco, financeiros como o Daggett. Engraçado até é o uso do Comissário (no topo da hierarquia da polícia) para procurar um deputado desparecido. Mais engraçado ainda é que ninguém se incomoda com a aparente assédio sexual da Selina Kyle pelo mesmo deputado.

Como resultado desta política, onde não controle algum sobre os crimes financeiros, a população de Gotham vive numa cidade cada vez mais pacífica mas, em contrapartida, sofrendo uma crescente desigualdade econômica.

Essa dinâmica é um claro reflexo de espelho da situação encontrada no filme da trilogia, onde Gotham City vive ainda do boom econômico iniciado pelo Clã Wayne e ainda luta para limpar uma cidade com crimes e criminosos em todos estratos da sociedade. O que acontece em Dark Knight Rises é justamente o contrário, a falta de crime é justamente o que leva à uma economia que falha em ajudar a cidade a prosperar. Ra’s al Ghul falou isso no primeiro filme:

Over the ages, our weapons have grown more sophisticated. With Gotham, we tried a new one: Economics. But we underestimated certain of Gotham’s citizens… such as your parents. Gunned down by one of the very people they were trying to help. Create enough hunger and everyone becomes a criminal. Their deaths galvanized the city into saving itself… and Gotham has limped on ever since. We are back to finish the job. And this time no misguided idealists will get in the way. Like your father, you lack the courage to do all that is necessary. If someone stands in the way of true justice… you simply walk up behind them and stab them in the heart.

Gordon ainda tenta manter a lenda do Batman como um fiapo de esperança para que a criminalidade não retorne ligando o bat-sinal de tempos em tempos, mas a única ajuda para a cidade são os eventos beneficentes (que vemos na mansão Wayne no começo do longa), numa tentativa de preencher a distância entre os muitos ricos e os extremamente pobres.

É neste cenário claramente influenciado pelo Theory of Justice (1) de John Rawls que surge Bane, um terrorista que escapou da prisão Pit (alusão ou Lazarus Pit) do oriente médio e foi ser treinado por um terrorista árabe Ra’s al Ghul, o mesmo que treinou Bruce Wayne. Logo vemos que Bane se preparar nos esgostos de Gotham e o seu quartel-general logo abaixo do arsenal (e extensão da Bat-caverna) do Batman na Wayne Enterprises. Claramente a ideia passada é o surgimento de uma nova sociedade para substituir a atual sociedade decadante.

O primeiro ataque de Bane começa usando seus soldados se perfazendo de trabalhadores em empregos clássicos da população proletária (mensageiro, engraxate…) para atacar a bolsa de valores de Gotham (praticamente idêntica a NYSE). Novamente o choque de sociedades é evidente, a população pobre tomando de assalto a riqueza da pequena parcela enriquecida. Assim, tomam o controle de toda a fortuna de Bruce Wayne, o homem mais rico da cidade que, por sua vez, se sente compelido a sair das sombras e enfrentar um inimigo à altura, coisa que não acontecia desde a aparição do Coringa 8 anos atrás.

Com a era do Comissário Gordon chegando ao fim, a atual polícia se perde em se preocupar em capturar o Batman do que os “assaltantes” num claro sinal de falta de propósito e despreparo do Estado em se adaptar ao novo mundo. Assim como o sucesso do Batman em acabar com o crime o fez desnecessário, a sua ausência fez o crime reaparecer e tornou o Batman novamente relevante. Batman precisa de uma cidade violenta e, no fim, ele não tem interesse em limpar a cidade dos criminosos.

Bane se alia a Daggett, membro da classe capitalista sem escrúpulos, ajudando-o a tomar o controle da Wayne Enterprises, para em seguida (e com um pouco de violência) por as mãos numa aparato nuclear idealizado para produzir energia limpa, mas que serve como uma arma nuclear (novamente culpa do Batman). Em seguida, Bane acaba com o estado repressor e liberta todos os presos de Blackgate Prison (2) e institui a lei-e-ordem (sistema penal severo que não dá oportunidade de ampla defesa ao acusado). Obviamente, o regime de Bane se torna uma anarquia chegando ao ponto do Scarecrow presidir julgamento de banqueiros com uma pegada dura e sem um sistema processual justo, assim como Harvey Dent fez em The Dark Knight.

Numa tentativa desesperada, a polícia tenta, em vão, enfatizar que todo poder, em última análise, vem da força do punho, e parte para um confronto em plena luz do dia com Bane e sua trupe vanguardista.  A situação piora quando a Talia, antes aliada de Bruce Wayne, revela que é filha de Ra’s al Ghul e que foi quem arquitetou a destruição de Gotham com o explosivo nuclear como era o desejo de seu pai.

Batman finalmente se dá conta que ele é o único culpado por criar esta nova classe de criminosos que ele tanto tenta acabar, exatamente como previsto pelo Coringa:

I don’t want to kill you! What would I do without you? …you complete me!

A última cartada do Batman é fingir a própria morte ao levar a bomba para explodir em alto mar. Ele, eventualmente, termina o filme na Itália onde lhe é permitido, novamente, a levar uma vida tranquila e bem abastada de playboy. Assim mesmo como era antes de se tornar o Batman. The Dark Knight Rises termina exatamente como começou Batman Begins.

O filme poderia ter tratado melhor a trama do John ‘Robin’ Blake que, durante o conflito entre o bem e mal nas ruas de Gotham, se deparar com o vice-comissário Foley que preferiu não fazer nada para proteger a população da cidade do que se arriscar numa batalha contra os opressores da cidade.

Enojado, Robin abandona a carreira de policial, joga fora o distintivo e parece assumir o manto do Batman e continuar com a teatralidade do medo e uso de táticas de vigilante no combate ao crime.

E esse último desfecho não é uma ponta deixada para eventual série de continuações ao encaminhar o John ‘Robin’ Blake para a bat-caverna. Entendo que esta última passagem é uma simbologia que a luta do Batman é interminável, onde a cidade precisa de um vigilante para diminuir o crime, assim como o Batman precisa do crime para que a sua vida tenha propósito.

The Dark Knight Rises realmente termina a saga de mais de 10 anos do Batman, e trazer Christian Bale de volta ao papel do Batman vai contra tudo o que filme trabalhou para estabelecer. Batman era um mal necessário, mas acabou se mostrando mais mal do que bom e a mera existência de um vigilante acima da lei demonstrou que  faria mais mal do que bem à sociedade. Como visto, o Batman depende da existência de criminosos cada vez mais malucos para justificar a sua existência e o uso desmedido de força e justiça para limpar a cidade. Sem o Batman pelo caminho, Gotham voltaria a ser corrupta e perigosa, mas facilmente administrável, o que não deixa de ser um bom negócio se comparadao ao auge da loucura e violência destemperada experimentada em Gotham durante os eventos de The Dark Knight.

Aliás, The Dark Knight merece uma análise com mais calma dado a grande quantidade de metáforas e o uso constante da teoria do jogos.

Ω


  1. Theory of Justice é a magunus opus sobre filosofia política e ética escrita por John Rawls onde tenta resolver o problema da distribuição equilibrada da justiça (a distribuição socialmente justa do que a sociedade tem de bom para oferecer) utilizando uma variação do conceito do contrato social. O resultado desta obra é conhecido no artigo conhecido como “Justice as Fairness“, onde Rawls obtém dois princípios: o princípio da liberdade e o princípio da diferença.
  2. Só a menção desta prisão explica a não aparição do Coringa que, aparentemente, estava preso sozinho no que sobrou do Arkham Asylum por ser um criminoso altamente violento e temido por todos, inclusive os outros criminosos.

Daqui a 5 anos?

Outro dia pensei na pergunta infame de onde nos vemos daqui a 5 anos e cheguei a conclusão de que é uma péssima ideia planejar tanto tempo na frente.

Frequentemente, em entrevistas de emprego ou avaliação anual de performance da companhia, somos perguntados: Onde você se vê daqui a 5 anos? A pergunta parece um exercício interessante de planejamento, mas no fundo se mostra irrelevante para se alcançar um objetivo com sucesso. Adoraria poder responder isso aqui, mas não sei se o resultado seria dos melhores.

Sabemos que para planejar um objetivo é preciso avaliar o risco da falha. Quem estuda engenharia de produção aprende que o risco, geralmente, aumenta a partir de 3 fatores: (a) o nível de controle que você tem sobre suas variáveis ​​do ambiente, (b) a quantidade de variáveis ​​que você tem que controlar e (c) a quantidade de tempo que você tem que manter essas variáveis ​​sob controle.

É praticamente impossível conseguir considerar todas as variáveis da vida em razão da sua natureza subjetiva. Ainda, por serem tantos os fatores imprevisíveis como a morte, sentimentos e emoções, que planejar como será a nossa semana já seria uma tarefa hercúlea, quanto mais um plano de 5 anos para alcançar um objetivo. Certamente um plano assim seria constantemente minado por frustração, dificuldades de controlar as diversas variáveis e impedí-las de falharem. Acredito que nenhuma pessoa suficientemente inteligente possar achar que fazer tal plano seria uma boa ideia.

Alguém poderia dizer que um plano de 5 anos tem suas vantagens se, por exemplo, utilizarmos o algorítimo de backtracking para decisões erradas, separando do resultado apenas a parte boa e aplicando-a na próxima decisão. Não me parece o melhor caminho, pois a frustração permanece presente e a demora em alcançar o objetivo não tornaria esse approach vantajoso. Talvez se utilizarmos a abordagem do Greedy Algorithm poderia resultar num desfecho melhor. A ideia desta abordagem é atacar os problemas de maneira gradual sempre decidindo baseado em fatos disponíveis, e não em pura especulação. A soma de resultados certos e graduais deveria levar a um objetivo satisfatório. Assim, ao invés de tentar prevê o futuro sem saber em quantas milhares de variáveis a se considerar, o melhor seria planejar gradualmente com base em fatos conhecidos. Dessa forma, as decisões seriam sempre mais acertadas. menos suscetíveis de falha ou frustração. É claro que esta abordagem nem sempre levará ao objetivo idealizado, mas certamente levará a uma série de resultados satisfatórios e complementares que, no fim, poderão ser considerados como o objetivo idealizado.

Se algum dia for perguntado onde eu estarei daqui a cinco anos, direi que uma pessoa inteligente jamais faria tal plano. Claro que explicarei como a premissa de planejar algo tão na frente pode não ser a melhor coisa a fazer. Diria que o mais sensato seria traçar diversas metas curtas e realizáveis em curto prazo, sempre levando em conta os fatos e informações disponíveis naquele momento, o que poderia resultar numa vida com menos chance para falha e frustração e, em contrapartida, tornaria a vida mais leve de se viver.

A única dúvida que fica é se a pessoa que faz esta pergunta quer estimular um raciocínio novo e não-ortodoxo ou se ela acha mesmo que é importante ter um plano (fadado ao fracasso) para os próximos 5 anos?

Onde me vejo daqui a 5 anos? Não sei e isso é bom.

Ω

Novo design do New York Times

Há tempos que os sites de notícia parecem sofrer designs ultrapassados que se preocupam mais com a quantidade de clicks e ads apresentados aos leitores, o que tem ajudado a diminuir o número de assinantes. Nem vou comentar sobre o portal G1 que, apesar de providenciar o melhor fluxo de notícia do Brasil (muitas delas péssimas e de cunho sensacionalista), apresenta um dos piores designs que não ajuda em nada na leitura, começando pelo espaçamento da fonte.

O grande debate é o equilíbrio entre a estética e apelo visual e a experiência de leitura do usuário.

Hoje encontrei o protótipo de redesign do New York Times, que repensa como cada história é consumida, como a notícia é conectada e recupera o conceito da notícia ser o principal elemento do design.  Assim, as histórias ganham scroll infinito, todos os elementos de interação, como fotos, vídeos, infográficos, são incorporadas no corpo do texto. Ainda, as páginas ficam mais leves com o aumento de espaço em branco e a eliminação da enorme quantidade de links que ficavam ao redor da história.

Como disse no começo deste post, a regra para a maioria dos portais de notícia é dar ao leitor o número máximo de links de uma só vez, fazendo com que cliquem infinitamente (e rendendo estatísticas de clicks). O NYT quebra este paradigma adotando um design que privilegia experiências mais minimalistas, limpas e intuitivas, em clara influência dos usuários que buscam mais suavidade e experiências confortáveis ao lerem as notícias e com a ascensão de UI mínimas e clean dos mobiles.

Outra grande sacada do NYT foi trazer os comentários para o começo do texto e próximo ao autor da notícia, que dar um peso de igualdade e mesma importância, tanto para a notícia quanto para os comentários. É quase como se a notícia estivesse “no meio” das conversas, uma dando continuidade à outra.

Existe um menu invisível com o conteúdo dividido/distribuído em categorias, mas com uma navegação mais personalizada e natural. A opção de busca e seções tradicionais é mantida, como parte da tradição do NYT que sempre prega transparência e abertura de todos os fatos reportados no jornal. A possibilidade de marcar categorias como favoritos torna a experiência do usuário mais íntima e próximas, sem ter que fazer uso de algoritmos que preveem e escolhem os conteúdos que podemos achar interessante.

Aqui vale um comentário acerca destes algorítimos de conteúdo direcionado: Até que ponto é vantagem que nos seja indicado conteúdo baseado no nosso hábito de leitura e navegação? O tendão de Aquiles deste conceito é a impossibilidade de se chegar a assuntos novos e inéditos que estão fora dos nossos hábitos de leitura e navegação, uma vez que o algorítimo jamais irá me sugerir um conteúdo completamente diferente daquele que estou habituado.

O melhor de tudo nesta nova proposta do NYT é a manutenção da filosofia do jornal que a publicação seja a mesma, confiável e que propicie uma experiência que permita engajar os leitores, independentemente se você um iPhone, um Android, um notebook ou web app.

A curiosidade já deve estar matando, mas o redesign do NYT é um protótipo em beta aberto a alguns usuários que pedirem acesso através deste site.

Ω

A Apple mudou o mundo em 8 anos

É fascinante a comparação feita pela foto que supostamente capta os fiéis na Praça de São Pedro em 2005 e 2013.

A foto que tem circulado desde ontem foi postada no instagram, na realidade, vem de uma reportagem da NBC News, mostra como a Apple mudou o mundo, e não só o mercado de celulares, com o lançamento do iPhone em 2007. A primeira foto foi tirada em 2005 por Luca Bruno registrando o velório do corpo de João Paulo II e a segunda foi tirada recentemente por Michael Sohn mostrando o Habemus Papam de Jorge Mario Bergoglio (Francisco)

Apesar de não serem registros do mesmo evento (anúncio do novo Papa), a comparação serve para demonstrar a enorme influência da Apple e do iPhone nas nossas vidas.

É claro que em 2005 os celulares já eram lugar comum, mas ainda não eram os potentes computadores pessoais de bolso de hoje em dia e nem tinham câmeras no mesmo nível (ou melhor) do que as point and shoots cyber-shot’s tão comuns de alguns anos atrás.

8 anos depois, a foto tirada na Praça de São Pedro mostra como a revolução iniciada pela Apple em 2007 foi muito mais profunda, mudando vários hábitos, principalmente o de se noticiar um evento. Hoje em dia, qualquer pessoa de posse de um smartphone (não precisa nem ser um iPhone) tem condições de registrar um evento histórico e compartilhar da forma que bem entender, hábito este restrito às empresas de telecomunicação.

Ainda, o uso combinado de redes sociais e de câmeras de alta qualidade encontradas na maioria dos smartphone vendidos hoje em dia permite que qualquer pessoa possa registar um evento e noticiá-lo da forma que achar melhor.

O mais engraçado disso tudo é como o mundo muda drasticamente para algumas coisas, enquanto algumas tradições seculares permanecem as mesmas.

Ω

Google Reader será aposentado em 1º de Julho de 2013

Em Julho de 2011, após ser nomeado CEO, Larry Page postou no Google+ que a companhia iria focar em poucos produtos Google, o que resultaria na melhora de produtos considerados excelentes e mesmo desperdícios de energia em produtos de nicho ou com pouco uso.:

Greater focus has also been another big feature for me this quarter — more wood behind fewer arrows.

Tem sido assim desde então sem grandes surpresas, até ontem quando foi anunciado uma nova leva de limpeza mataram o Google Reader. Choque para todos. Comunidade nerd entrou em polvorosa. Galera no twitter xingando tudo e todos e até lançaram uma hashtag #savegooglereader.

Passado o choque, todo mundo se pergunta qual seria a alternativa para ler feeds depois que o Google desligar os aparelhos do Google Reader. O problema aqui não é o client que será usado para ler os feeds, e sim o que estes clients farão para listar os feeds depois que o Google encerrar o reader que, siginifica, não dar mais suporte ao API do Google Reader.

O que é API? É um conjunto de rotinas e padrões estabelecidos por um software para a utilização das suas funcionalidades por aplicativos que pretendem apenas usar seus serviços.

Dito isso, qualquer alternativa nada adiantará quando o API, não oficial diga-se, for morto. Fui, então, à procura de alternativas. Achei o The Old Reader e o Feedly.

The Old Reader

Apenas na versão web, com extensões para Chorme e Safari, o The Old Reader promete oferecer a experiência original do Google Reader e, realmente, parece uma solução promissora, mas ainda tem aquela pegada meio beta e parece cru.

Não encontrei nada falando sobre o uso do API do Google Reader e o que vai acontecer depois de 1º de Julho.

Feedly

Até agora a melhor solução, com vários formatos de leitura, integração com as principais redes sociais, leitores etc.

Melhor do Feedly é a promesssa deles de clonarem o API do Google Reader e fazer uma transição automática e imperceptível dos feeds depois de 1º de Julho. O projeto se chama Normandy e parece resolver a minha preocupação:

Transitioning from Google Reader to feedly

Google announced today that they will be shutting down Google Reader. This is something we have been expecting for some time: We have been working on a project called Normandy which is a feedly clone of the Google Reader API – running on Google App Engine. When Google Reader shuts down, feedly will seamlessly transition to the Normandy back end. So if you are a Google Reader user and using feedly, you are covered: the transition will be seamless.

If you are a Google Reader, give feedly a try before July 1st, and you will be able to migrate seamlesly (…)

Se quiserem tentar o Feedly, seguem os links:

Enjoy.
Ω

A ideia do iPad nasceu há 27 anos.

Em 1983, Steve Jobs palestrou para o Center for Design Innovation e falou sobre diversos assuntos desde computação wireless até o projeto que viria a ser o Google StreetView. O post podia acabar aqui e você que está lendo ir direto para o link e ouvir o áudio  A linha de raciocínio dele era tão intensa e incrível que, em 1983, quando o computador pessoal ainda mal tinha sido inventado, Jobs já dizia que os computadores estavam destinados a virarem eletrodomésticos comuns assim como uma torradeira ou televisão, vejam só:

We think that computers are the most remarkable tools that humankind has ever come up with, and we think that people are basically tool users. So if we can just get lots of computers to lots of people, it will make some qualitative difference in the world. What we want to do at Apple is make computers into appliances and get them to tens of millions of people. That’s simply what we want to do.

Como disse, no blog do Center for Design Innovation tem o áudio da palestra. Recentemente, Marcel Brown achou um cassete original da palestra com mais 30 minutos do Q&A do Steve Jobs falando mais sobre computadores interconectados uns aos outros (prévia da internet), o conceito de loja online (o que seria a App Store). É neste áudio também que temos outra previsão do fundador da Apple: o conceito de um computador como o iPad. Sério. 27 anos atrás a Apple já entendia como a computação pessoal evoluiria até o ponto do computador se tornar um acessório pessoal.

Apple’s strategy is really simple. What we want to do is we want to put an incredibly great computer in a book that you can carry around with you and learn how to use in 20 minutes. That’s what we want to do and we want to do it this decade,

E a ideia de portabilidade era natural quando se pensava num computador feito para ser visto como um livro:

And we really want to do it with a radio link in it so you don’t have to hook up to anything and you’re in communication with all of these larger databases and other computers.

Infelizmente, a parte equivocada da previsão foi achar que um computador iPad-like seria desenvolvido ainda na década de 1980 o que acaba sendo meio contraditório quando o próprio Steve Jobs admitia que naquela época não havia tecnologia suficientemente desenvolvida para botar um computador “dentro de um livro”.

Quem ouvir o áudio pode dizer que estou viajando em achar que essas ideias se referem ao iPad e não à notebooks como antigo iBook ou MacBook, mas se prestar atenção, você vai ver que Steve Jobs menciona “mobile pocketable computers“:

One of these days, when you have portable computers with radios stuck in them, you’ll be walking around Aspen and [retrieve your messages].

iBook, MacBook, MacBook Pro e MacBook Air são portáteis, mas não ao ponto de serem carregados no bolso. É impressionante como Steve Jobs já tinha idéia do que seria o iPad, e só não podia ir adiante com esta ideia por ainda não ter a tecnologia disponível para fazer.

Ω