Experimental Prototype Community of Tomorrow

Não sei se sabem, mas antes de Walt Disney “morrer” em 1966, vítima de câncer de pulmão, o Experimental Prototype Community of Tomorrow, ou o acrônimo EPCOT, era um conceito desenvolvido pelo próprio Disney para ser uma cidade planejada num terreno gigantesco comprado perto de Orlando, na Flórida, com o objetivo de ser uma “comunidade do futuro”. A ideia era estimular as grandes corporações americanas para desenvolverem novas e audaciosas idéias para a vida urbana.

Em Outubro de 1966, Walt Disney disse:

EPCOT will take its cue from the new ideas and new technologies that are emerging from the forefront of American industry. It will be a community of tomorrow that will never be completed. It will always be showcasing and testing and demonstrating new materials and new systems.

O EPCOT original era o coração de um plano maior chamado de Project X (hoje Walt Disney World Resort) e seria o epicentro do mundo de Disney como uma cidade modelo para desenvolver projetos e ideias pensando no futuro, especialmente abordando questões como aumento de escala na produção de comida, formas alternativas de transporte, desenvolvimento de novas tecnologias de comunicação.

Curioso que a ideia original do EPCOT nasceu no início da década de 1960, quando Walt Disney já gozava de enorme sucesso na indústria de entretenimento (Walt Disney Productions já era a maior produtora de filmes do planeta, depois se transformou na Walt Disney Company), e a sua família começava a crescer com muitos netos. Os netos, essencialmente, foram o primeiro passo para a concepção do EPCOT, pois ao assistir seus netos crescerem, Walt começou a se preocupar com o mundo em que eles viveriam. Walt via o crescimento desordenado, agitado e violento da California como problemas sérios.

Mas antes do projeto EPCOT começar a ser desenhado, Disney construiu o Disneyland Park na Califórnia, já dando uma amostra da visão que tinha de senso de comunidade e futurismo. Em seguida, Disney começou a perceber que os seus Imagineers (engenheiros sinistros responsáveis por imaginar e conceber as atracões da Disney) tinham acumulado conhecimentos sobre edifícios e relações espaciais em relação às pessoas no desenvolvimento da Disneyland poderia ser colocada em uso em comunidades planejadas e até mesmo cidades inteiras.

A idéia de criar uma cidade perfeita parecia – e era – tão sensacional que Disney começou a se dedicar profundamente sobre planejamentos de cidade e baseou o Project X e EPCOT no livro Garden Cities of To-morrow, de Sir Ebenezer Howard. Disney fez de tudo para transformar o conceito que tinha em mente em realidade.

Além de sensacional, a magnitude do conceito do EPCOT era tão surreal que Walt Disney não queria a intervenção do governo em nenhum aspecto do projeto e chegou a solicitar que a Walt Disney Productions tivesse jurisdição municipal sobre a terra que haviam adquirido. Só assim Walt Disney poderia ter total controle sobre todas as partes da propriedade, até na forma como os edifícios seriam construídos e todos os aspectos de planejamento que uma cidade necessitava. Disney estava planejando novas idéias na vida urbana e não queria a mão do governo metida no seu sonho. Assim nasceu Reedy Creek Improvement District.

A evolução final do EPCOT foi para o parque temático que todos conhecem hoje em dia. Agora, penso se Walt Disney teria ficado feliz com o resultado ou se sentido traído com a deturpação do conceito original.

Se tiverem curiosidade para ver os planos originais do EPCOT, sugiro visitarem o Tomorrowland Transit Authority PeopleMover no Magic Kingdom. Se não rolar de visitar agora, podem comprar o livro Designing Disney’s Theme Parks: The Architecture of Reassurance que é uma abordagem extensiva da construção dos parques, mostrando muito dos conceitos e planos originais de Disney.

Ω

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Neymar. Ano Zero.

Sempre defendi a necessidade dos “craques” do futebol nacional irem para o exterior e experimentarem outras defesas, outros gramados e outras competições. A novidade sempre será tanto empecilho ou oportunidade. Os medíocres cairão frente ao novo justamente por conta de medo, já os grandes triunfarão frente ao desconhecido e vão colher as glórias do mundo do futebol.

Neymar é o mais qualificado a ganhar, de uma vez por todas, o mundo do futebol. Ficar no Santos ad eternum, fazia sentido na época do Pelé, agora não mais. Neymar precisa se aventurar num futebol que não conhece os atalhos e nem as malandragens. Ele só tem a ganhar, seja com um aumento de qualidade no futebol jogado, como os milhões de dólares e lambos e ‘raris da vida. Bruna Marquezine já era, ao meu ver.

Se eu tivesse na pele dele, uma das cláusulas do meu contrato com o Barça seria a entrega de uma LaFerrari no dia da apresentação.

E, mesmo que não costumo curtir muito o que o Lédio Carmona fala, dessa vez gostei do que li na visão dele sobre o mesmo assunto, em especial no trecho abaixo:

Neymar nunca dirá que quer ir embora. Ele é tão grato a quem lhe estendeu a mão, que não tem coragem de dizer que pensa em mudar. Mas o desejo está estampado no seu semblante. No sorriso que era escancarado e agora é quase técnico e frio. E não existe melhor momento para isso. Tanto Barcelona, Real Madrid, Manchester United e Bayern Munique começarão novos ciclos. E Neymar terá o privilégio de chegar no marco zero de qualquer um desses clubes. A hora é essa. E será bom para todos. Foi excepcional enquanto durou.

Foi bom mesmo. Mas chega. Vai zoar os gringos agora.

Ω

 

Borda de alumínio do Nokia Lumia 925

Vejam como a Nokia é recheada do mais puro bullshit:

One feature distinguishing the 925 from other Lumia phones is the aluminium frame around the edge, which also works as an antenna.

Um frame de alumínio que serve, também, como antena, assim como era o iPhone 4. Isso vindo de uma companhia que cagou regra na época do Antennagate dizendo que eram os pioneiros e especialistas em design de antenas internas, e que não comprometeriam a performance de um aparelho pelo design. Quer dizer que agora pode?

#sefudêneguinho.

Ω

Teoria McDonald’s

Jon Bell, autor do What I Learned Building…, usa um truque com seus colegas de trabalha quando estão tentando decidir em qual restaurante vão almoçar mas ninguém tem ideia aonde ir. Ele sempre recomenda McDonald’s.

Só de mencionar os Arcos Dourados, todos no grupo decidem em uníssono que McDonald’s não rola e, seguidamente, começam a sugerir outros destinos diferentes do restaurante do palhaço de cabelo vermelho (aterrorizador, se pensar que o McDonald’s tem como público-alvo a molecada… divagando…).

A idéia por trás deste “truque” é quebrar a inércia de um grupo que precisa decidir e ninguém tem, aparentemente, coragem de dar o primeiro pitaco. Sugerir um lugar que vende a comida mais não-saudável (não menos delícia se pensar no Big Mac…), “automagicamente” (obrigado Steve) faz com que as pessoas reajam sugerindo algo melhor. Ou seja, sugerir uma idéia merda que envolve todos num grupo gera a necessidade alguém sugerir algo melhor, claramente por uma preocupação pessoal, mas que se estende ao  grupo:

An interesting thing happens. Everyone unanimously agrees that we can’t possibly go to McDonald’s, and better lunch suggestions emerge. Magic!

It’s as if we’ve broken the ice with the worst possible idea, and now that the discussion has started, people suddenly get very creative. I call it the McDonald’s Theory: people are inspired to come up with good ideas to ward off bad ones.

Em resumo, o grande problema que é resolvido com esta teoria é a dificuldade de se “dar o primeiro passo”, especialmente quando se trata de um processo criativo. A Nike já sabe disso com o slogan “Just Do It” e parece que Steve Jobs já entendia isso também, como lembrou o próprio Jon Bell:

Go!

Genial. Apenas uma palavra tem o potencial de fazer você dar o primeiro passo sem medo e de se sabotar.

Se pensar bem, a dificuldade de dar o primeiro passo pode ser visto em qualquer lugar, desde o processo criativo até chegar numa mina na noitada. Quantas vezes me vi pensando e repensando no que falar para chegar junto triunfalmente e quando me dei conta, outro malandro já tinha “ido”. Ainda bem que entendi como dar o primeiro passo sem overthink, mesmo que inconscientemente, e fiz uma blitzkrieg e conquistei a linda Renata Pitta, que é uma consultora de imagem e estilo e que não pode perder tempo com overthink.

Se ligaram como fiz um merchan de leve para a minha esposa? Aliás, chequem o trabalho dela, recomendo.

Ω

Obrigado, Sir Alex Ferguson

Nesta quarta-feira, dia 8 de Maio de 2013, chega ao fim uma era do futebol mundial.

Sir Alexander Chapman Ferguson, anunciou sua aposentadoria após 27 anos comandando o Manchester United, encerrando uma dinastia vitoriosa de 13 títulos da Premier League, 5 Copas da Inglaterra, 4 Copas da Liga, 2 Ligas dos Campeões da Europa e 1 Mundial de Clubes da Fifa, além de apresentar ao mundo Cristiano Ronaldo.

Aliás, CR7 > Leo Messi.

Voltando, é chato ter que ver uma lenda do esporte se aposentar, mas esse momento chegaria uma hora ou outra. Ninguém dura para sempre e Ferguson já tem 71 anos. Por isso, o meu agradecimento é mais por conta da visão de business que Sir Alex Ferguson tinha do futebol e como ele transformou os Red Devils numa máquina de ganhar títulos e fazer dinheiro. Acredito que Ferguson é o principal responsável pela criação da figura de Manager de um clube de futebol, tanto perseguido por Vanderlei Luxemburgo, Mano Menezes, José Mourinho, Pep Guardiola e tantos mais.

Ferguson sabia que administrar um clube era mais do que apitar coletivo e fazer rachão e que era preciso paciência (principalmente dos donos do clube), planejamento, metas e resultados, tanto em campo quanto fora, para se ter um time de sucesso e vencedor. O meu agradecimento é por esta contribuição ampla para o desenvolvimento do esporte do povo. É uma pena que no Brasil ninguém parece ter aprendido como se constrói um clube forte, com bases sólidas e com sequências vitoriosas e de alta performance.

It was important to me to leave an organisation in the strongest possible shape and I believe I have done so. The quality of this league winning squad, and the balance of ages within it, bodes well for continued success at the highest level whilst the structure of the youth set-up will ensure that the long-term future of the club remains a bright one.

Our training facilities are amongst the finest in global sport and our home Old Trafford is rightfully regarded as one of the leading venues in the world.

No Brasil, não se fala em planejamento à longo prazo. A ideia é tentar ganhar o título este ano e ver no que vai dar depois, contratando jogadores medianos por salários dignos de jogadores do naipe de Leo Messi, Cristiano Ronaldo, Neymar… É claro que a legislação em vigor também atrapalha, quando trata o clube de futebol como um clubezinho de recreação de bairro, por isso que já está mais do que na hora de ver o Flamengo, Fluminense e tantos outros clubes como empresas que movimentam milhões de reais, geram milhares de empregos (direto e indiretamente), que promovem acesso a lazer e cultura e, sobretudo, que buscam o lucro. De toda forma, mesmo com uma mudança no tratamento jurídico de um clube de futebol, é necessário que a mentalidade dos técnicos deixe de ser pequena para os salários que recebem. São pouquíssimos os técnicos que entendem como uma administração bem feita do clube como um todo é muitas vezes mais eficiente que qualquer contratação de uma “estrela”.

Agora, pergunto o que adianta ganhar um campeonato nacional e ter que desfazer das principais peças do elenco para pagar dívidas ou secar a folha salarial? Tá errado. Precisamos mudar a legislação e, mais do que nunca, a cultura do brasileiro que acha melhor ganhar uma vez agora e se virar quando o futuro chegar, do que não ser campeão nesta temporada mas se preparar um futuro vitorioso e sem data de validade.

Ω