iOS 7 é mais do que uma demão

Mesmo o iOS 7 sendo uma nova abordagem ao sistema móvel apresentado pela Apple, a maioria das pessoas ainda se preocupa em dizer que o visual da nova versão do iOS já nasceu batido porque é, na realidade, um apanhado de cópias do Android, Windows Phone 8 e BB10.

Diria que as semelhanças tem mais a ver com as novas funcionalidades apresentadas no iOS 7 que alguns sistemas já tem, de uma forma ou de outra. Porém, continuo achando que a arquitetura, assim como o UI, do iOS 7 é algo distinto do que se tem no mercado.

Allen Pike falou algo que merece destaque:

By hanging up their rich textures in favour of rich effects, Apple has gone well beyond a coat of paint. If people fall in love with this new, beautifully living aesthetic, there will be an argument for building native apps for years yet.

Basta analisar/usar o iOS 7 (mesmo em beta) para ver que as mudanças do sistema, quando comparado ao iOS 6, não são apenas visuais (tonalidades das cores, novos ícones etc.). O uso lógico e com regra de física, dinamismo, movimento, profundidade, tridimensionalidade, transparência e perspectiva dão ao iOS 7 uma fluidez maior no uso e uma nova gama de possibilidades para a criação de novos Apps.

Claro que o sistema precisa ser polido, mas o começo é bastante promissor.

Ω

O Design do iOS 7

Finalmente, foi apresentado no keynote da WWDC a mais recente versão do sistema operacional móvel da Maçã: iOS 7.

Usei uma versão beta do sistema por alguns dias e já posso adiantar um pouco do que gostei e não gostei, mas antes é preciso falar um pouco do contexto que pude entender após o que foi apresentado. Só agora resolvi escrever, pois ainda precisei digerir toda essa grande novidade.

Nunca se contestou a capacidade do Jony Ive quando se fala em hardware, mas durante os últimos 8 meses pairava sobre a Apple a dúvida se Ive teria a mesma habilidade para liderar a revolução do design do software na companhia. Na verdade, o mercado tinha esta dúvida como a principal e crucial para o futuro da Apple.

Sem Jobs no comando, Ive foi oficialmente apontado como o novo responsável pela inovação dentro da Apple, agora com um título de SVP de Design. Até segunda-feira, não tínhamos ideia se o Tim Cook tinha acertado ou não. Hoje, após alguns dias usando o iOS 7, posso dizer que Ive é a pessoa certa para iniciar esse novo capítulo – desenvolvimento de software e hardware como uma única coisa.

Aliás, essa nova visão da Apple – pós-Forstall – de que o design é a combinação do desenvolvimento de software e hardware é a melhor estratégia. A Apple sempre vendeu a ideia de que seu hardware e software foram feitos para viverem juntos, nada mais certo do que o desenvolvimento seguir uma mesma liderança.

Agora, com esse primeiro gosto do iOS 7, é difícil não perceber a influência dos anos de hardware design do Ive. Veja que com o hardware, design é limitado pelas fronteiras da física, como peso, densidade, tamanho, conexões etc., enquanto o software não precisa enfrentar tais limites.

Neste sentido, a concepção do iOS 6 aproveitou a falta destes limites, conforme se pode ver quando se abre um pasta de apps no tela inicial e vemos a textura de linho “por baixo”, do mesmo jeito que vemos esta textura “por cima” ao puxar para baixo a Central de Notificações. Não há uma limitação física que impedisse isso, ao contrário se fosse uma questão de hardware, o que me faz entender que o atual iOS 6 não tem um conjunto de regras lógicas na implementação do UI. Na verdade, parece que a Apple não se preocupou com uma lógica conceitual na implementação da interface do usuário até agora.

A grande preocupação era criar uma transição fluida entre o mundo físico (de alavancas, botões, texturas, interfaces que simulam objetos reais) e o mundo virtual (simulações num único material – a tela sensível à multitoques de vidro). O tal skeumorphism digital.

Com o iOS 7, tudo muda. O sistema é baseada em regras. Na apresentação na WWDC, vimos que o novo sistema é baseado em uma série de camadas num eixo Z, também vimos uma drástica redução do uso de texturas e visuais 3D. Entretanto, não pensem que o iOS 7 é mais simples por isso. A tridimensionalidade ainda está presente, mas não é apenas visual, há uma lógica por trás do uso da profundidade conferida pelo 3D, que é alcançada a partir do uso de camadas translúcidas.

O sistema usa  translucidez não como um elemento visual tão somente para mostrar novidade, mas para proporcionar um senso de lugar ou localização. Quando se puxa o novo painel do Control Center (que controla ajustes como modo avião, bluetooth, AirDrop, controles de música etc.) por cima da tela inicial, vemos um painel translúcido que serve, exclusivamente, para mostrar que não fomos à nenhuma tela ou lugar novo, que estamos no mesmo lugar, com uma camada nova de informação (temporária) por cima.

Apenas com este exemplo, podemos ver que existe um sentido de lugar, profundidade e espacialidade no iOS 7, exatamente como o hardware nos faz sentir. A coisa parece real ou dá essa clara impressão de fusão com o software, e não mais apenas pixels processado numa tela de vidro. E, como disse no começo, parece que Ive partiu do mesmo raciocínio utilizado na concepção do hardware: o sistema segue regras lógicas, ainda que não sejam limitadas à física.

Claro que vejo que o iOS 7 ainda precisa evoluir bastante. Achei os ícones um pouco desconectados com toda a ideia de translucidez, tridimensionalidade e profundidade. O sistema ainda é um grande esqueleto e sofrerá uma grande evolução e lapidação até ser lançado para os mortais no fim de Outubro.

Um coisa é certa, a base conceitual do iOS7 corrige todos os excessos encontros na estética do iOS anteriores, excessos estes que são provenientes de Steve Jobs e seu amor pelas texturas de tecidos, madeiras, couros e que foi levada à risca por Forstall. Se posso explicar com uma só palavra o que vejo como objetivo do iOS 7 escolheria a palavra elegância.

O que eu tiro de tudo isso (ainda que seja o começo de um novo capítulo) é que o software e o hardware são e serão vistos com uma única grande peça. Software e hardware são os dois lados de uma mesma moeda.

Na Apple não existe mais design de hardware e design de software. Apenas design.

Ω

Milhares de ‘Nãos’ para cada ‘Sim’

Após assistir o início da campanha institucional ‘Designed by Apple in California‘, rapidamente veio à mente a melhor campanha até hoje ‘Think Different‘ e o melhor de tudo é que ambas marcam o início de um novo capítulo da companhia e vieram em momentos de dificuldade.

A propaganda ‘Think Different‘ foi direcionada à própria Apple. Steve Jobs tinha acabado de assumir uma companhia em frangalhos e à beira da falência e fez de tudo para lembrar a todos os empregados o quão eram especiais. Aquilo serviu para motivar a Apple, lembrar que a companhia era única e que estava na hora de fazer algo diferente. De lá para cá vimos a Apple mudar a história e iniciou um novo capítulo com a criação de sucessos como o iMac, Macbooks (Pro, Air…), iPod, iPhone e iPad e sistemas como o OS X e iOS.

Designed in California‘ deve ser visto sob a mesma luz. A propaganda também é para a Apple e serve para lembrar aos seus empregados que a companhia não faz tudo e qualquer coisa, mas sim poucas coisas com um único objetivo: torná-las perfeitas, desde que sejam perfeitas para nós.

There are a thousand “no’s”

For every “yes.”

We spend a lot of time

On a few great things.

Until every idea we touch

Enhance each life it touches.

Este é o novo capítulo de uma empresa admirável. Vale a pena acompanhar.

Ω

LTE no iPhone 5 foi definido assim…

De acordo com Lowell McAdam, CEO da Verizon, inicialmente Steve Jobs estava relutante em oferecer LTE (4G) no iPhone 5, mas precisou de muito pouco para mudar de ideia:

Interestingly McAdam also recounted a meeting he had with former Apple CEO Steve Jobs, who is now deceased. McAdam was trying to convince Jobs to make the iPhone 5 compatible with LTE. “I was really trying to sell him and he sat there without any reaction. Finally, he said, ‘Enough. You had me at 10 Mbps. I know you can stream video at 10 Mbps.’ And Apple’s next phone was LTE,” McAdam said.

O que me espantava no Steve Jobs é facilidade com que uma tomava decisão importante e que podia mudar o rumo de um produto/serviço da Apple (tá certo que algumas vezes tomava diversas  decisões diferentes sobre o mesmo assunto tamanha a sua preocupação com detalhes), ainda mais hoje em dia quando me vejo na posição de tomar decisões no trabalho.

Tomar uma decisão para definir um caminho, ou dar uma solução a um problema ou oferecer uma saída requer muito conhecimento, certa diplomacia e, sobretudo, bolas, mas para a maioria, ficar em cima do muro é mais fácil.

Ω

iPhone 5S ou iPhone 6?

Quando se fala no lançamento do próximo iPhone, o interesse é gigante e tudo sobre o novo aparelho é imaginado, até mesmo a numeração do modelo, para não dizer o nome (até porque a Apple não vai matar a marca iPhone tão cedo). Como estamos nos aproximando do período em que as especulações ganham vida e os rumores começam a florescer, vou fazer a minha primeira aposta:

O próximo iPhone será o “iPhone 6”.

E por que não iPhone 5? Senão vejamos.

Me parece que, desde o lançamento do iPhone 3GS, a Apple tem nos “educado” que a cada dois anos o iPhone sofre uma revolução. Vejam as diferenças de specs e design do 3G, 4 e 5 e como as versões 3GS e 4S “apenas” evoluíram o então atual modelo. Os modelos 3G, 4 e 5 apresentaram novo design (3G com casing de plástico, 4 casing de sanduíche de vidro e armação de metal e o 5 com um casing de alumínio mais fino), novos processadores, novas câmeras e apresentação de novas versões do iOS, enquanto que as versões 3GS e 4S foram “apenas” evoluções, sem mudanças drásticas, principalmente no design do aparelho.

Todavia, a prática da Apple de nomear os modelos evoluídos com o ‘S’ não me parece mais uma boa jogada: primeiro por que existe uma pressão cada vez mais crescente de que os outros fabricantes (Samsung, principalmente) parecem lançar novidades e revoluções de seus aparelhos flagships a cada ano; segundo por que a onda pessimismo da Apple que reina no mercado, entre os admiradores e na imprensa especializada está no máximo e, terceiro, marcar um novo lançamento com o rótulo ‘S’ talvez “confirme” este pessimismo.

Este tal pessimismo começou a ganhar vida com o lançamento do iPhone 4S, muito em razão do aparelho ter sido “descoberto” após um funcionário da Apple ter esquecido o aparelho num bar. Naquela época, o Gizmodo dissecou o aparelho antes do seu lançamento e algumas pessoas começaram a levantar a suspeita que aquele aparelho encontrado era um fake e, automagicamente, o aparelho não seguia a linguagem industrial da Apple etc.

Essa onda ganhou força com os eventos do “Antenna-Gate” e da vacilada do novo Maps.app e chegou ao máximo com a morte de Steve Jobs. Esse pessimismo tem sido disseminado pelo mercado de valores com previsões estapafúrdias (iWatch, iTV etc.) e com isso a Apple amarga desvalorização das ações no mercado, mesmo tendo quebrado recordes de vendas e faturamentos a cada semestre, assim como apresentando números fantásticos de lucro líquido (só o segmento iPhone gera um lucro líquido maior que o faturamento total da Microsoft…).

O pessimismo é tão forte hoje em dia que, mesmo se a Apple lançar uma iTV de 60″ com resolução 4K com AppleTV embutido, com possibilidade de comprar aplicativos, tudo comandado via Siri, tudo isso por USD$ 99, é capaz do mercado, imprensa e admiradores reclamarem que o sistema não é aberto o suficiente e que o tamanho da tela não é grande o suficiente e que a Apple está rumando para a falência.

Ken Segall parece pensar o mesmo e aborda esta questão no iPhone Naming: When Simple Gets Complicated defendendo que o próximo iPhone seja chamado de “iPhone 6” e não “iPhone 5S”:

More important, tacking an S onto the existing model number sends a rather weak message. It says that this is our “off-year” product, with only modest improvements. If holding off on the big number change achieved some great result, I might think otherwise. But look what happened with iPhone 5.

This model brought major changes: bigger screen, better camera, greater speed, all on a thinner and lighter body. Yet its improvements were still dismissed by many as “incremental.”

Assim, o momentum da imagem de companhia inovadora da Apple não é dos melhores nos últimos tempos e lançar seu produto carro-chefe com um rótulo que hoje causa a impressão de uma leve evolução pode acabar sendo um tiro no pé.

Por isso, independentemente do que vai ser apresentado como o novo iPhone, seja uma versão totalmente e radicalmente inovadora ou uma versão bem melhorada do modelo atual, acredito que o melhor nome para o próximo iPhone seja “iPhone 6”.

ultima vez eu errei, quem sabe agora eu não acerto?

Ω

JC Penney demite CEO Ron Johnson.

Ron Johnson é o responsável pelo sucesso das Apple Retail Stores que mudaram algumas regras do mercado de varejo como ter vendedores não-agressivos que buscam a melhor solução sem, necessariamente, vender um produto, vendas iniciadas e finalizadas pelo mesmo atendente, sem caixa registradora e a criação dos Genius Bar, onde os clientes conseguem obter os mais diversos treinamentos.

Depois deste sucesso, em 2011, Ron Johnson foi contratado para ser o CEO da gigante do varejo com objetivo de recuperar a empresa e melhorar a imagem junto ao público consumidor (usando, é claro, um pouco da magia da Apple), mas dois anos depois (e com desvalorização de 50%) o board da JC Penney mudou de ideia:

JC Penney CEO Ron Johnson is out and Mike Ullman will rejoin the company as CEO, receiving an annual base salary of $1 million.

Como se tem falado pelos insiders da Apple, 2 anos não era tempo o suficiente para consertar a JC Penney. Pelo pouco que lembro da JC Penney, as lojas eram caídas, vendiam qualquer merda e tudo parecia que tinha estacionado na década de 1980. As idéias do Ron Johnson eram audaciosas, arriscadas até e, certamente, eram de longo prazo.

Talvez fechar o capital antes de uma reestruturação maciça teria sido melhor para JC Penney.

Agora, será que Ron Johnson volta como SVP de Retail da Apple? A vaga continua aberta…

Ω

iRadio vai ser lançado pela Apple

Enquanto o mundo todo só fala sobre como será o próximo iPhone, iPad Mini com resolução retina até o unicórnio iWatch, tenho a impressão que a surpresa preparada pela Apple vai se chamar iRadio:

Much has been written about Apple’s plan to launch a Pandora-esque service this year. Now multiple music industry insiders have told The Verge that significant progress has been made in the talks with two of the top labels: Universal and Warner. One of the sources said “iRadio is coming. There’s no doubt about it anymore.” Apple is pushing hard for a summertime launch.

É só esperar para ver.

Ω

Samsung, BBC News e o Jornalismo (im)Parcial

Saca só o artigo na BBC News, dizendo que a marca Apple é menos inspiradora. De primeira tem duas coisas erradas: primeiro, a marca não é inspiradora, e sim a companhia e, segundo, a Apple continua como a principal marca a ser batida, o que demonstra o nível de inspiração causado nos concorrentes:

Smartphone rival Samsung is now seen as equally “inspiring” in the US, says the survey by consultancy Added Value.

É bom lembrar que Added Value é uma subsidiária da WPP. A WPP, por sua vez, é a agência de publicidade da Samsung.

Bacana que a reportagem não se dá o trabalho de mencionar este detalhe no artigo sobre a pesquisa.

BBC News já foi melhor.

Ω

A ideia do iPad nasceu há 27 anos.

Em 1983, Steve Jobs palestrou para o Center for Design Innovation e falou sobre diversos assuntos desde computação wireless até o projeto que viria a ser o Google StreetView. O post podia acabar aqui e você que está lendo ir direto para o link e ouvir o áudio  A linha de raciocínio dele era tão intensa e incrível que, em 1983, quando o computador pessoal ainda mal tinha sido inventado, Jobs já dizia que os computadores estavam destinados a virarem eletrodomésticos comuns assim como uma torradeira ou televisão, vejam só:

We think that computers are the most remarkable tools that humankind has ever come up with, and we think that people are basically tool users. So if we can just get lots of computers to lots of people, it will make some qualitative difference in the world. What we want to do at Apple is make computers into appliances and get them to tens of millions of people. That’s simply what we want to do.

Como disse, no blog do Center for Design Innovation tem o áudio da palestra. Recentemente, Marcel Brown achou um cassete original da palestra com mais 30 minutos do Q&A do Steve Jobs falando mais sobre computadores interconectados uns aos outros (prévia da internet), o conceito de loja online (o que seria a App Store). É neste áudio também que temos outra previsão do fundador da Apple: o conceito de um computador como o iPad. Sério. 27 anos atrás a Apple já entendia como a computação pessoal evoluiria até o ponto do computador se tornar um acessório pessoal.

Apple’s strategy is really simple. What we want to do is we want to put an incredibly great computer in a book that you can carry around with you and learn how to use in 20 minutes. That’s what we want to do and we want to do it this decade,

E a ideia de portabilidade era natural quando se pensava num computador feito para ser visto como um livro:

And we really want to do it with a radio link in it so you don’t have to hook up to anything and you’re in communication with all of these larger databases and other computers.

Infelizmente, a parte equivocada da previsão foi achar que um computador iPad-like seria desenvolvido ainda na década de 1980 o que acaba sendo meio contraditório quando o próprio Steve Jobs admitia que naquela época não havia tecnologia suficientemente desenvolvida para botar um computador “dentro de um livro”.

Quem ouvir o áudio pode dizer que estou viajando em achar que essas ideias se referem ao iPad e não à notebooks como antigo iBook ou MacBook, mas se prestar atenção, você vai ver que Steve Jobs menciona “mobile pocketable computers“:

One of these days, when you have portable computers with radios stuck in them, you’ll be walking around Aspen and [retrieve your messages].

iBook, MacBook, MacBook Pro e MacBook Air são portáteis, mas não ao ponto de serem carregados no bolso. É impressionante como Steve Jobs já tinha idéia do que seria o iPad, e só não podia ir adiante com esta ideia por ainda não ter a tecnologia disponível para fazer.

Ω

iPhone 5S em Agosto? iPad 5 em Abril?

Me parece que podemos apostar nestas datas, uma vez que a informação vem de Rene Ritchie, editor-chefe do iMore, que geralmente tem informações quentes de dentro da Apple e tem um bom histórico em rumores se concretizando:

Sources familiar with the plans have told iMore that the iPhone 5S does indeed have the same basic design as the iPhone 5, with a more advanced processor and an improved camera.

Imagino que o iPhone 5S tenha um upgrade de processador e melhor no sensor da camera (12 megapixel?). Será que veremos um upgrade de capacidade com nova opção de 128gb?

Quanto ao iPad 5, esperaria mudança no form factor ficando mais parecido com a linguagem de design do iPad Mini (mais fino, bordas mais finas). De repente vem a versão Retina do iPad mini…

Ω

iPhone? Que nada, era Telepod ou iPad

Alguns dias atrás, num evento no Departamento de Marketing da Universidade do Arizona, Ken Segall (ex-pica grossa de Advertising da Apple) compartilhou detalhes interessantes sobre o brainstorm do smartphone da companhia. Eventualmente a Apple acabou ficando com o iPhone (que já estava até no imaginário dos fãs – não que isso tenha influenciado), mas a companhia considerou outras ideias. O pessoal do 9to5Mac acompanhou o evento e tem maiores detalhes de todos os nomes considerados na época, mas o que me chamou a atenção foram dois nomes:

Telepod

O nome foi considerado pelo ar futurístico que remetia à palavra telefone. Claro que o “pod” da palavra se aproveitava do contexto de sucesso da linha iPod. Parece que este nome fazia sentido por conta do projeto “ipod-phone” do Tony Fadell, projeto este que acabou perdendo para solução de portar o OS X para uma versão móvel chamado iOS do Scott Forstall.

iPad

Este era o nome original para o iPhone por conta do projeto do tablet já em desenvolvimento e talvez fizesse mais sendido chamar o iPhone de iPad, visto que o smartphone da Apple é, na verdade, um pocket-mac e não um simples telefone.

Na realidade, se faz de tudo no iPhone como no iPad, mas no smartphone ainda tem a possibilidade de fazer ligações telefônicas (através do Phone.app) e, certamente, o nome iPhone foi utilizado como parte da “educação” dada a nós pela Apple. Lembrem-se que o iPad como conhecemos foi concebido (projeto) antes do iPhone. Tem até aquela história que o pessoal da Apple não era satisfeito com os celulares da época e resolveram “consertar” este problema.

Bom, na verdade, hoje em dia sabemos que não foi “só” esse descontentamento com as ofertas de celulares da época que levou a Apple a criar o iPhone. Steve Jobs explicou uma vez que percebeu que o mercado ainda não estava pronto para um tablet com um multi-touch screen (os antigos tablet-pc da Microsoft eram desktop miniaturizados para um tablet e não tinham sido pensados para usar com dedo e por um usuário comum, e sim destinados a mercados específicos – como hospitais/médicos).

Jobs, então, imaginou que o iPad funcionaria melhor se fosse portado para um aparelho que fosse mais familiar as pessoas: telefone celular. Com isso, o iPad foi lançado como o iPhone aproveitando o imaginário comum das pessoas e induzindo-as a acreditarem que aquele aparelho era um super telefone e não um pocket-mac que fazia, entre outras milhares de coisas, ligações telefônicas. Como o celular já tinha chegado a um ponto de uso diário e repetido, a pessoas rapidamente aprenderiam a usar o iPhone.

E foi o que aconteceu. Após 3 anos de intervalo, o iPad, ao ser lançado em 2010, causou aquele alvoroço de era apenas um iPhone grande (e, na prática, é isso mesmo, menos o nativo Phone.app). Só que ninguem se deu conta que o público já estava acostumado (ou educado) pela Apple para usar o iPad sem curva de aprendizagem, graça aos iPhone.

Dito isso, é sempre interessante saber um pouco mais das engrenagens da Apple e ver as idéias por trás do gadget que mais revolucionou o mercado na última década. Mais interessante ainda é ver como a Apple acertou em seguir com o nome iPhone.

Ω

iPad mini, o iPad definitivo

Finalmente conheci o iPad mini e posso dizer que este é o formato ideal para o iPad. Imagino que a Apple não começou com este formato por duas razões: custo da tecnologia para produção e a confusão que poderia causar com o iPhone.

Vou explicar a segunda razão. Se lembrarem bem, quando o iPad original foi lançado, de todos os comentários, vi várias pessoas falando que o aparelho não passava de um iPhonão ou iPhone com a tela grande. Hoje sabemos que o design dos aparelhos é da mesma familia, mas são dois aparelhos com propostas diferentes. Imaginem se a Apple tivesse lançado o iPad no formato do mini. A confusão seria ainda maior e, talvez, as pessoas não embarcariam numa compra do iPad mini por achar que o iPhone fosse (e é) mais portátil.

Ainda, lembrem-se que o iPhone serviu para educar as pessoas a usarem um aparelho cujo principal input é com os dedos. O iPad original já foi lançado com o ar familiar, tanto que foi muito bem aceito e a tal ponto referenciado, ainda no começo, como um iPhone grande. De toda forma, a diferença do tamanho dos displays era muito significativa, o que facilitou a vida da Apple para vender o aparelho como uma proposta inovadora.

Quanto à primeira razão, o custo para miniaturizar um iPad deveria ser proibitivo para um lançamento ainda em 2010. Ainda que o iPad mini não seja o mais barato entre os tablets sub-10″, certamente em 2010 o preço seria estratosférico ainda para os padrões premiums da Apple.

Review mini

Pros: Muito portátil, incrivelmente leve e realmente dá para manusear com uma das mãos. Todos os apps para iPad estão prontos para o mini, o que deixa o aparelho muito robusto frente à quantidade obscena de apps. E, finalemente, a versão em preto (ou slate) é linda.

Cons: Preço um pouco salgado, especialmente, por não ter um retina display. Ah, o o retina display faz falta, para quem já está acostumado com o iPhone 4, 4S e 5 (principalmente este) e, claro, com os iPad 3 e 4 (gerações).

No primeiro instante ao usar o iPad mini é nítido que este é o formato ideal para ter uma excelente experiência de tablet. Quase não dá para sentir o peso, cabe direitinho na mão, o que o torna excepcional para leitura de livros, revistas, comics, apps de leitor de feeds. O iOS 6 melhorou a percepção de toque involuntário da tela (ou quando os dedos apenas repousam na tela), o que elimina a necessidade de uma borda grande.

Falando por aqui não dá para fazer a justiça que o iPad mini merece. É preciso usar e entender como este tablet é extremamente bem feito. Impressiona até quem tem ódio pela maçã e prefere os inventos (risos) da Sammy.

Para quem não tem iPad, sugiro comprar o mini. Para quem tem o iPad original ou o 2, sugiro comprar o mini. E, para quem tem o iPad 3 ou 4, só vale a comprar se o trade off portabilidade x display pesar para a leveza e facilidade de carregar o aparelho, do contrário esperaria até fevereiro/março de 2013.

Rolam boatos que a Apple vai passar a fazer refresh dos iPods, iPhones e iPads a cada 6 meses, mas isso é post para um outro momento.

Ω

Apple’s Way e a tão sonhada TV

Tim Cook foi entrevistado por Brian Willains, âncora do Rock Center (NBC) pela primeira vez como CEO da Apple, o que por si só já vale ver. A entrevista é boa, mas não revela muito sobre os próximos produtos/projetos da Apple, mas demonstra como o espírito do Steve Jobs faz parte da cultura da companhia:

Our whole role in life is to give you something you didn’t know you wanted. And then once you get it, you can’t imagine your life without it. And you can count on Apple doing that.

Dos produtos não anunciados pela Apple, Tim Cook soltou uma pista sobre as intenções da companhia para o mercado de TV’s:

It’s a market that we see, that has been left behind. You know, I used to watch “The Jetsons” as a kid. I love “The Jetsons.” We’re living “The Jetsons” with this. It’s an area of intense interest. I can’t say more than that. But…

Ainda acho que Tim Cook se refere ao Apple TV, mais do que uma TV da Apple. O Apple TV sempre foi tratado como um hobby experimentado pela companhia para entender melhor o mercado. Com o comentário do Tim Cook o mercado de TV é de intenso interesse da Apple, soa mais com uma revisão/revolução da próxima geração do Apple TV.

Ω

iTunes 11

Tarde, mas ainda digno de comentar. iTunes 11 é o melhor iTunes até hoje.

Maior destaque é o Expanded View, que nada mais é uma lista gráfica (e não puramente uma lista) com o conteúdo de album, filme ou série. Depois de clicar, o album é expandido com a mesma animação e lógica das pastas do iOS.

A idéia é brilhante porque permite que usuários de qualquer nível consigam acessar detalhes de uma vasta biblioteca de música/filme/séries sem nunca sair da interface primária, sem contar que o album abre com a listagem usando a capa do album de background, quase como uma homenagem aos tempos em que as capas de cds eram apreciadas. Como se tivessemos “abrindo” o album de verdade.

Ω