Teoria das Janelas Partidas

A teoria das Janelas Partidas (ou Quebradas) é baseado no ensaio de criminologia e sociologia urbana chamado de Broken Windows (PDF) de James Q. Wilson e George L. Kelling que busca demonstrar que mesmo um leve ato de desordem pode escalonar para o vandalismo de um bairro todo:

Second, at the community level, disorder and crime are usually inextricably linked, in a kind of developmental sequence. Social psychologists and police officers tend to agree that if a window in a building is broken and is left unrepaired, all the rest of the windows will soon be broken. This is as true in nice neighborhoods as in run-down ones. Window-breaking does not necessarily occur on a large scale because some areas are inhabited by determined window-breakers whereas others are populated by window-lovers; rather, one unrepaired broken window is a signal that no one cares, and so breaking more windows costs nothing.

Vejam como o descaso muitas vezes é a razão do aumento da criminalidade e não a falta de policiamento. Para os cariocas, a Praça do Ó (Praça São Sebastião, no Jardim Oceânico) é um claro exemplo disso. Hoje em dia, toda noite a praça é tomada por viciados em drogas e prostitutas, em razão do aparente abandono do entorno (durante o dia a praça ainda é utilizada para uma feira de artesanato).

Tudo começou quando a Boate Zodíaco fechou e foi abandonada (Google Street View).

O tal artigo serviu de base para o livro Fixing Broken Windows: Restoring Order And Reducing Crime In Our Communities de George L. Kelling e Catherine Coles que, por sua vez, afirma que para se ter mais chances de prevenir o vandalismo é necessário que resolva os problemas quando ainda são pequenos. O ato de reparar ou consertar as janelas serve como uma metáfora e a ideia se aplica, por exemplo, ao limpar as ruas sempre que estiverem sujas, de modo que possa prevenir problemas de escoagem da água das chuvas, empoçamentos, aparecimento de vetores de doenças etc.

O cuidado com os entornos tendem, na teoria, a reprimir ou diminuir o crime de pequena escala ou comportamento anti-social, com o objetivo final de prevenir o crime de grande escala.

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A ideia do iPad nasceu há 27 anos.

Em 1983, Steve Jobs palestrou para o Center for Design Innovation e falou sobre diversos assuntos desde computação wireless até o projeto que viria a ser o Google StreetView. O post podia acabar aqui e você que está lendo ir direto para o link e ouvir o áudio  A linha de raciocínio dele era tão intensa e incrível que, em 1983, quando o computador pessoal ainda mal tinha sido inventado, Jobs já dizia que os computadores estavam destinados a virarem eletrodomésticos comuns assim como uma torradeira ou televisão, vejam só:

We think that computers are the most remarkable tools that humankind has ever come up with, and we think that people are basically tool users. So if we can just get lots of computers to lots of people, it will make some qualitative difference in the world. What we want to do at Apple is make computers into appliances and get them to tens of millions of people. That’s simply what we want to do.

Como disse, no blog do Center for Design Innovation tem o áudio da palestra. Recentemente, Marcel Brown achou um cassete original da palestra com mais 30 minutos do Q&A do Steve Jobs falando mais sobre computadores interconectados uns aos outros (prévia da internet), o conceito de loja online (o que seria a App Store). É neste áudio também que temos outra previsão do fundador da Apple: o conceito de um computador como o iPad. Sério. 27 anos atrás a Apple já entendia como a computação pessoal evoluiria até o ponto do computador se tornar um acessório pessoal.

Apple’s strategy is really simple. What we want to do is we want to put an incredibly great computer in a book that you can carry around with you and learn how to use in 20 minutes. That’s what we want to do and we want to do it this decade,

E a ideia de portabilidade era natural quando se pensava num computador feito para ser visto como um livro:

And we really want to do it with a radio link in it so you don’t have to hook up to anything and you’re in communication with all of these larger databases and other computers.

Infelizmente, a parte equivocada da previsão foi achar que um computador iPad-like seria desenvolvido ainda na década de 1980 o que acaba sendo meio contraditório quando o próprio Steve Jobs admitia que naquela época não havia tecnologia suficientemente desenvolvida para botar um computador “dentro de um livro”.

Quem ouvir o áudio pode dizer que estou viajando em achar que essas ideias se referem ao iPad e não à notebooks como antigo iBook ou MacBook, mas se prestar atenção, você vai ver que Steve Jobs menciona “mobile pocketable computers“:

One of these days, when you have portable computers with radios stuck in them, you’ll be walking around Aspen and [retrieve your messages].

iBook, MacBook, MacBook Pro e MacBook Air são portáteis, mas não ao ponto de serem carregados no bolso. É impressionante como Steve Jobs já tinha idéia do que seria o iPad, e só não podia ir adiante com esta ideia por ainda não ter a tecnologia disponível para fazer.

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