iOS 7 é mais do que uma demão

Mesmo o iOS 7 sendo uma nova abordagem ao sistema móvel apresentado pela Apple, a maioria das pessoas ainda se preocupa em dizer que o visual da nova versão do iOS já nasceu batido porque é, na realidade, um apanhado de cópias do Android, Windows Phone 8 e BB10.

Diria que as semelhanças tem mais a ver com as novas funcionalidades apresentadas no iOS 7 que alguns sistemas já tem, de uma forma ou de outra. Porém, continuo achando que a arquitetura, assim como o UI, do iOS 7 é algo distinto do que se tem no mercado.

Allen Pike falou algo que merece destaque:

By hanging up their rich textures in favour of rich effects, Apple has gone well beyond a coat of paint. If people fall in love with this new, beautifully living aesthetic, there will be an argument for building native apps for years yet.

Basta analisar/usar o iOS 7 (mesmo em beta) para ver que as mudanças do sistema, quando comparado ao iOS 6, não são apenas visuais (tonalidades das cores, novos ícones etc.). O uso lógico e com regra de física, dinamismo, movimento, profundidade, tridimensionalidade, transparência e perspectiva dão ao iOS 7 uma fluidez maior no uso e uma nova gama de possibilidades para a criação de novos Apps.

Claro que o sistema precisa ser polido, mas o começo é bastante promissor.

Ω

O Design do iOS 7

Finalmente, foi apresentado no keynote da WWDC a mais recente versão do sistema operacional móvel da Maçã: iOS 7.

Usei uma versão beta do sistema por alguns dias e já posso adiantar um pouco do que gostei e não gostei, mas antes é preciso falar um pouco do contexto que pude entender após o que foi apresentado. Só agora resolvi escrever, pois ainda precisei digerir toda essa grande novidade.

Nunca se contestou a capacidade do Jony Ive quando se fala em hardware, mas durante os últimos 8 meses pairava sobre a Apple a dúvida se Ive teria a mesma habilidade para liderar a revolução do design do software na companhia. Na verdade, o mercado tinha esta dúvida como a principal e crucial para o futuro da Apple.

Sem Jobs no comando, Ive foi oficialmente apontado como o novo responsável pela inovação dentro da Apple, agora com um título de SVP de Design. Até segunda-feira, não tínhamos ideia se o Tim Cook tinha acertado ou não. Hoje, após alguns dias usando o iOS 7, posso dizer que Ive é a pessoa certa para iniciar esse novo capítulo – desenvolvimento de software e hardware como uma única coisa.

Aliás, essa nova visão da Apple – pós-Forstall – de que o design é a combinação do desenvolvimento de software e hardware é a melhor estratégia. A Apple sempre vendeu a ideia de que seu hardware e software foram feitos para viverem juntos, nada mais certo do que o desenvolvimento seguir uma mesma liderança.

Agora, com esse primeiro gosto do iOS 7, é difícil não perceber a influência dos anos de hardware design do Ive. Veja que com o hardware, design é limitado pelas fronteiras da física, como peso, densidade, tamanho, conexões etc., enquanto o software não precisa enfrentar tais limites.

Neste sentido, a concepção do iOS 6 aproveitou a falta destes limites, conforme se pode ver quando se abre um pasta de apps no tela inicial e vemos a textura de linho “por baixo”, do mesmo jeito que vemos esta textura “por cima” ao puxar para baixo a Central de Notificações. Não há uma limitação física que impedisse isso, ao contrário se fosse uma questão de hardware, o que me faz entender que o atual iOS 6 não tem um conjunto de regras lógicas na implementação do UI. Na verdade, parece que a Apple não se preocupou com uma lógica conceitual na implementação da interface do usuário até agora.

A grande preocupação era criar uma transição fluida entre o mundo físico (de alavancas, botões, texturas, interfaces que simulam objetos reais) e o mundo virtual (simulações num único material – a tela sensível à multitoques de vidro). O tal skeumorphism digital.

Com o iOS 7, tudo muda. O sistema é baseada em regras. Na apresentação na WWDC, vimos que o novo sistema é baseado em uma série de camadas num eixo Z, também vimos uma drástica redução do uso de texturas e visuais 3D. Entretanto, não pensem que o iOS 7 é mais simples por isso. A tridimensionalidade ainda está presente, mas não é apenas visual, há uma lógica por trás do uso da profundidade conferida pelo 3D, que é alcançada a partir do uso de camadas translúcidas.

O sistema usa  translucidez não como um elemento visual tão somente para mostrar novidade, mas para proporcionar um senso de lugar ou localização. Quando se puxa o novo painel do Control Center (que controla ajustes como modo avião, bluetooth, AirDrop, controles de música etc.) por cima da tela inicial, vemos um painel translúcido que serve, exclusivamente, para mostrar que não fomos à nenhuma tela ou lugar novo, que estamos no mesmo lugar, com uma camada nova de informação (temporária) por cima.

Apenas com este exemplo, podemos ver que existe um sentido de lugar, profundidade e espacialidade no iOS 7, exatamente como o hardware nos faz sentir. A coisa parece real ou dá essa clara impressão de fusão com o software, e não mais apenas pixels processado numa tela de vidro. E, como disse no começo, parece que Ive partiu do mesmo raciocínio utilizado na concepção do hardware: o sistema segue regras lógicas, ainda que não sejam limitadas à física.

Claro que vejo que o iOS 7 ainda precisa evoluir bastante. Achei os ícones um pouco desconectados com toda a ideia de translucidez, tridimensionalidade e profundidade. O sistema ainda é um grande esqueleto e sofrerá uma grande evolução e lapidação até ser lançado para os mortais no fim de Outubro.

Um coisa é certa, a base conceitual do iOS7 corrige todos os excessos encontros na estética do iOS anteriores, excessos estes que são provenientes de Steve Jobs e seu amor pelas texturas de tecidos, madeiras, couros e que foi levada à risca por Forstall. Se posso explicar com uma só palavra o que vejo como objetivo do iOS 7 escolheria a palavra elegância.

O que eu tiro de tudo isso (ainda que seja o começo de um novo capítulo) é que o software e o hardware são e serão vistos com uma única grande peça. Software e hardware são os dois lados de uma mesma moeda.

Na Apple não existe mais design de hardware e design de software. Apenas design.

Ω

iOS 6 e a Experiência do Update

Ontem ao atualizar meu iPhone 4 para o iOS 6 (que levou cerca de 1 hora do download de 599mb e instalação), tive a mesma reação que Charles Arthur (colunista do The Guardian) e percebi que ao recuperar o backup feito via iCloud, todos os apps, fotos, ajustes, senhas para e-mail, calendário, wi-fi e, até mesmo, ajustes de alarme foram recuperados.

For existing iPhone owners who have an iCloud account to which they have backed up their phone, there’s a nice welcome that didn’t exist last year. If you activate a new iPhone with that iCloud account, you can set it up with everything — including photos, apps, settings and passwords for email and calendars and Wi-Fi, and even details such as your alarm times.

Everything is as it was on the old one, seamlessly. That’s better than either Android or Windows Phone, the two principal contenders, which will download your apps but leave you to fill in the settings and recreate your alarms and app settings.

O mesmo efeito parece se repetir ao fazer um upgrade para o iPhone 5, fazendo a transição/troca de aparelho muito mais suave e sem a chateação de ter que refazer os pequenos ajustes ao comprar um novo aparelho. John Gruber passou para o iPhone 5 sem qualquer transtorno:

Agreed. I restored my review unit  [iPhone 5] from the iCloud backup of my daily-use iPhone 4S, and within an hour, it was like I was picking up right where I took off. Really nice upgrade experience. (I did have to re-enter my passwords for my IMAP and Twitter accounts, though.)

Até onde eu sei, Android e Windows Phones não fazem essa transição tão bem feita assim, limitando-se a baixar seus apps, enquanto que outros ajustes mais finos deverão ser recriados.

Agora só falta alguém trazer um iPhone 5 para mim. Alguém?

Ω

iOS 6 and no youtube native app

Apple já tinha matado o Google Maps no iOS 6. Agora o 9to5Mac descobriu que a Maçã vai fazer o mesmo com o app nativo do Youtube, de acordo com o último beta do iOS.

A informação foi confirmada para o The Verge a partir de um contato com um representante da Apple, vê só

Apple’s entire statement is below.

Our license to include the YouTube app in iOS has ended, customers can use YouTube in the Safari browser and Google is working on a new YouTube app to be on the App Store.

Vou falar que não me surpreendo com isso. Claramente a Apple não quer mais ligação alguma com a Google e como a licença para uso expirou, não viram vantagem em continuar com a parceria. Aliás, a parceria entre Google e Apple já azedou tem tempo e isso é tudo fruto da briga Android x iOS.