Neymar. Ano Zero.

Sempre defendi a necessidade dos “craques” do futebol nacional irem para o exterior e experimentarem outras defesas, outros gramados e outras competições. A novidade sempre será tanto empecilho ou oportunidade. Os medíocres cairão frente ao novo justamente por conta de medo, já os grandes triunfarão frente ao desconhecido e vão colher as glórias do mundo do futebol.

Neymar é o mais qualificado a ganhar, de uma vez por todas, o mundo do futebol. Ficar no Santos ad eternum, fazia sentido na época do Pelé, agora não mais. Neymar precisa se aventurar num futebol que não conhece os atalhos e nem as malandragens. Ele só tem a ganhar, seja com um aumento de qualidade no futebol jogado, como os milhões de dólares e lambos e ‘raris da vida. Bruna Marquezine já era, ao meu ver.

Se eu tivesse na pele dele, uma das cláusulas do meu contrato com o Barça seria a entrega de uma LaFerrari no dia da apresentação.

E, mesmo que não costumo curtir muito o que o Lédio Carmona fala, dessa vez gostei do que li na visão dele sobre o mesmo assunto, em especial no trecho abaixo:

Neymar nunca dirá que quer ir embora. Ele é tão grato a quem lhe estendeu a mão, que não tem coragem de dizer que pensa em mudar. Mas o desejo está estampado no seu semblante. No sorriso que era escancarado e agora é quase técnico e frio. E não existe melhor momento para isso. Tanto Barcelona, Real Madrid, Manchester United e Bayern Munique começarão novos ciclos. E Neymar terá o privilégio de chegar no marco zero de qualquer um desses clubes. A hora é essa. E será bom para todos. Foi excepcional enquanto durou.

Foi bom mesmo. Mas chega. Vai zoar os gringos agora.

Ω

 

Obrigado, Sir Alex Ferguson

Nesta quarta-feira, dia 8 de Maio de 2013, chega ao fim uma era do futebol mundial.

Sir Alexander Chapman Ferguson, anunciou sua aposentadoria após 27 anos comandando o Manchester United, encerrando uma dinastia vitoriosa de 13 títulos da Premier League, 5 Copas da Inglaterra, 4 Copas da Liga, 2 Ligas dos Campeões da Europa e 1 Mundial de Clubes da Fifa, além de apresentar ao mundo Cristiano Ronaldo.

Aliás, CR7 > Leo Messi.

Voltando, é chato ter que ver uma lenda do esporte se aposentar, mas esse momento chegaria uma hora ou outra. Ninguém dura para sempre e Ferguson já tem 71 anos. Por isso, o meu agradecimento é mais por conta da visão de business que Sir Alex Ferguson tinha do futebol e como ele transformou os Red Devils numa máquina de ganhar títulos e fazer dinheiro. Acredito que Ferguson é o principal responsável pela criação da figura de Manager de um clube de futebol, tanto perseguido por Vanderlei Luxemburgo, Mano Menezes, José Mourinho, Pep Guardiola e tantos mais.

Ferguson sabia que administrar um clube era mais do que apitar coletivo e fazer rachão e que era preciso paciência (principalmente dos donos do clube), planejamento, metas e resultados, tanto em campo quanto fora, para se ter um time de sucesso e vencedor. O meu agradecimento é por esta contribuição ampla para o desenvolvimento do esporte do povo. É uma pena que no Brasil ninguém parece ter aprendido como se constrói um clube forte, com bases sólidas e com sequências vitoriosas e de alta performance.

It was important to me to leave an organisation in the strongest possible shape and I believe I have done so. The quality of this league winning squad, and the balance of ages within it, bodes well for continued success at the highest level whilst the structure of the youth set-up will ensure that the long-term future of the club remains a bright one.

Our training facilities are amongst the finest in global sport and our home Old Trafford is rightfully regarded as one of the leading venues in the world.

No Brasil, não se fala em planejamento à longo prazo. A ideia é tentar ganhar o título este ano e ver no que vai dar depois, contratando jogadores medianos por salários dignos de jogadores do naipe de Leo Messi, Cristiano Ronaldo, Neymar… É claro que a legislação em vigor também atrapalha, quando trata o clube de futebol como um clubezinho de recreação de bairro, por isso que já está mais do que na hora de ver o Flamengo, Fluminense e tantos outros clubes como empresas que movimentam milhões de reais, geram milhares de empregos (direto e indiretamente), que promovem acesso a lazer e cultura e, sobretudo, que buscam o lucro. De toda forma, mesmo com uma mudança no tratamento jurídico de um clube de futebol, é necessário que a mentalidade dos técnicos deixe de ser pequena para os salários que recebem. São pouquíssimos os técnicos que entendem como uma administração bem feita do clube como um todo é muitas vezes mais eficiente que qualquer contratação de uma “estrela”.

Agora, pergunto o que adianta ganhar um campeonato nacional e ter que desfazer das principais peças do elenco para pagar dívidas ou secar a folha salarial? Tá errado. Precisamos mudar a legislação e, mais do que nunca, a cultura do brasileiro que acha melhor ganhar uma vez agora e se virar quando o futuro chegar, do que não ser campeão nesta temporada mas se preparar um futuro vitorioso e sem data de validade.

Ω