O Design do iOS 7

Finalmente, foi apresentado no keynote da WWDC a mais recente versão do sistema operacional móvel da Maçã: iOS 7.

Usei uma versão beta do sistema por alguns dias e já posso adiantar um pouco do que gostei e não gostei, mas antes é preciso falar um pouco do contexto que pude entender após o que foi apresentado. Só agora resolvi escrever, pois ainda precisei digerir toda essa grande novidade.

Nunca se contestou a capacidade do Jony Ive quando se fala em hardware, mas durante os últimos 8 meses pairava sobre a Apple a dúvida se Ive teria a mesma habilidade para liderar a revolução do design do software na companhia. Na verdade, o mercado tinha esta dúvida como a principal e crucial para o futuro da Apple.

Sem Jobs no comando, Ive foi oficialmente apontado como o novo responsável pela inovação dentro da Apple, agora com um título de SVP de Design. Até segunda-feira, não tínhamos ideia se o Tim Cook tinha acertado ou não. Hoje, após alguns dias usando o iOS 7, posso dizer que Ive é a pessoa certa para iniciar esse novo capítulo – desenvolvimento de software e hardware como uma única coisa.

Aliás, essa nova visão da Apple – pós-Forstall – de que o design é a combinação do desenvolvimento de software e hardware é a melhor estratégia. A Apple sempre vendeu a ideia de que seu hardware e software foram feitos para viverem juntos, nada mais certo do que o desenvolvimento seguir uma mesma liderança.

Agora, com esse primeiro gosto do iOS 7, é difícil não perceber a influência dos anos de hardware design do Ive. Veja que com o hardware, design é limitado pelas fronteiras da física, como peso, densidade, tamanho, conexões etc., enquanto o software não precisa enfrentar tais limites.

Neste sentido, a concepção do iOS 6 aproveitou a falta destes limites, conforme se pode ver quando se abre um pasta de apps no tela inicial e vemos a textura de linho “por baixo”, do mesmo jeito que vemos esta textura “por cima” ao puxar para baixo a Central de Notificações. Não há uma limitação física que impedisse isso, ao contrário se fosse uma questão de hardware, o que me faz entender que o atual iOS 6 não tem um conjunto de regras lógicas na implementação do UI. Na verdade, parece que a Apple não se preocupou com uma lógica conceitual na implementação da interface do usuário até agora.

A grande preocupação era criar uma transição fluida entre o mundo físico (de alavancas, botões, texturas, interfaces que simulam objetos reais) e o mundo virtual (simulações num único material – a tela sensível à multitoques de vidro). O tal skeumorphism digital.

Com o iOS 7, tudo muda. O sistema é baseada em regras. Na apresentação na WWDC, vimos que o novo sistema é baseado em uma série de camadas num eixo Z, também vimos uma drástica redução do uso de texturas e visuais 3D. Entretanto, não pensem que o iOS 7 é mais simples por isso. A tridimensionalidade ainda está presente, mas não é apenas visual, há uma lógica por trás do uso da profundidade conferida pelo 3D, que é alcançada a partir do uso de camadas translúcidas.

O sistema usa  translucidez não como um elemento visual tão somente para mostrar novidade, mas para proporcionar um senso de lugar ou localização. Quando se puxa o novo painel do Control Center (que controla ajustes como modo avião, bluetooth, AirDrop, controles de música etc.) por cima da tela inicial, vemos um painel translúcido que serve, exclusivamente, para mostrar que não fomos à nenhuma tela ou lugar novo, que estamos no mesmo lugar, com uma camada nova de informação (temporária) por cima.

Apenas com este exemplo, podemos ver que existe um sentido de lugar, profundidade e espacialidade no iOS 7, exatamente como o hardware nos faz sentir. A coisa parece real ou dá essa clara impressão de fusão com o software, e não mais apenas pixels processado numa tela de vidro. E, como disse no começo, parece que Ive partiu do mesmo raciocínio utilizado na concepção do hardware: o sistema segue regras lógicas, ainda que não sejam limitadas à física.

Claro que vejo que o iOS 7 ainda precisa evoluir bastante. Achei os ícones um pouco desconectados com toda a ideia de translucidez, tridimensionalidade e profundidade. O sistema ainda é um grande esqueleto e sofrerá uma grande evolução e lapidação até ser lançado para os mortais no fim de Outubro.

Um coisa é certa, a base conceitual do iOS7 corrige todos os excessos encontros na estética do iOS anteriores, excessos estes que são provenientes de Steve Jobs e seu amor pelas texturas de tecidos, madeiras, couros e que foi levada à risca por Forstall. Se posso explicar com uma só palavra o que vejo como objetivo do iOS 7 escolheria a palavra elegância.

O que eu tiro de tudo isso (ainda que seja o começo de um novo capítulo) é que o software e o hardware são e serão vistos com uma única grande peça. Software e hardware são os dois lados de uma mesma moeda.

Na Apple não existe mais design de hardware e design de software. Apenas design.

Ω

Milhares de ‘Nãos’ para cada ‘Sim’

Após assistir o início da campanha institucional ‘Designed by Apple in California‘, rapidamente veio à mente a melhor campanha até hoje ‘Think Different‘ e o melhor de tudo é que ambas marcam o início de um novo capítulo da companhia e vieram em momentos de dificuldade.

A propaganda ‘Think Different‘ foi direcionada à própria Apple. Steve Jobs tinha acabado de assumir uma companhia em frangalhos e à beira da falência e fez de tudo para lembrar a todos os empregados o quão eram especiais. Aquilo serviu para motivar a Apple, lembrar que a companhia era única e que estava na hora de fazer algo diferente. De lá para cá vimos a Apple mudar a história e iniciou um novo capítulo com a criação de sucessos como o iMac, Macbooks (Pro, Air…), iPod, iPhone e iPad e sistemas como o OS X e iOS.

Designed in California‘ deve ser visto sob a mesma luz. A propaganda também é para a Apple e serve para lembrar aos seus empregados que a companhia não faz tudo e qualquer coisa, mas sim poucas coisas com um único objetivo: torná-las perfeitas, desde que sejam perfeitas para nós.

There are a thousand “no’s”

For every “yes.”

We spend a lot of time

On a few great things.

Until every idea we touch

Enhance each life it touches.

Este é o novo capítulo de uma empresa admirável. Vale a pena acompanhar.

Ω

Teoria McDonald’s

Jon Bell, autor do What I Learned Building…, usa um truque com seus colegas de trabalha quando estão tentando decidir em qual restaurante vão almoçar mas ninguém tem ideia aonde ir. Ele sempre recomenda McDonald’s.

Só de mencionar os Arcos Dourados, todos no grupo decidem em uníssono que McDonald’s não rola e, seguidamente, começam a sugerir outros destinos diferentes do restaurante do palhaço de cabelo vermelho (aterrorizador, se pensar que o McDonald’s tem como público-alvo a molecada… divagando…).

A idéia por trás deste “truque” é quebrar a inércia de um grupo que precisa decidir e ninguém tem, aparentemente, coragem de dar o primeiro pitaco. Sugerir um lugar que vende a comida mais não-saudável (não menos delícia se pensar no Big Mac…), “automagicamente” (obrigado Steve) faz com que as pessoas reajam sugerindo algo melhor. Ou seja, sugerir uma idéia merda que envolve todos num grupo gera a necessidade alguém sugerir algo melhor, claramente por uma preocupação pessoal, mas que se estende ao  grupo:

An interesting thing happens. Everyone unanimously agrees that we can’t possibly go to McDonald’s, and better lunch suggestions emerge. Magic!

It’s as if we’ve broken the ice with the worst possible idea, and now that the discussion has started, people suddenly get very creative. I call it the McDonald’s Theory: people are inspired to come up with good ideas to ward off bad ones.

Em resumo, o grande problema que é resolvido com esta teoria é a dificuldade de se “dar o primeiro passo”, especialmente quando se trata de um processo criativo. A Nike já sabe disso com o slogan “Just Do It” e parece que Steve Jobs já entendia isso também, como lembrou o próprio Jon Bell:

Go!

Genial. Apenas uma palavra tem o potencial de fazer você dar o primeiro passo sem medo e de se sabotar.

Se pensar bem, a dificuldade de dar o primeiro passo pode ser visto em qualquer lugar, desde o processo criativo até chegar numa mina na noitada. Quantas vezes me vi pensando e repensando no que falar para chegar junto triunfalmente e quando me dei conta, outro malandro já tinha “ido”. Ainda bem que entendi como dar o primeiro passo sem overthink, mesmo que inconscientemente, e fiz uma blitzkrieg e conquistei a linda Renata Pitta, que é uma consultora de imagem e estilo e que não pode perder tempo com overthink.

Se ligaram como fiz um merchan de leve para a minha esposa? Aliás, chequem o trabalho dela, recomendo.

Ω

One More Thing não é uma questão de segredo

 

Todos nós sabemos que o segredo é parte integrante do DNA da Apple. Departamentos inteiros (ou setores, diria) têm privilégios e acessos à informações de forma segregada e são compartimentados conforme surge a necessidade, mas o ‘One More Thing‘ do falecido Steve Jobs não era apenas mais um ingrediente neste mundo secreto. Aquilo ali era puro show.

Não acredito que veremos Tim Cook surpreender a plateia dessa forma.

Ω

 

N.E: Este post tinha sido escrito originalmente em inglês em 30/07/2012. Como a língua oficial deste blog é o português brasileiro, resolvi traduzir os posts em inglês.

 

LTE no iPhone 5 foi definido assim…

De acordo com Lowell McAdam, CEO da Verizon, inicialmente Steve Jobs estava relutante em oferecer LTE (4G) no iPhone 5, mas precisou de muito pouco para mudar de ideia:

Interestingly McAdam also recounted a meeting he had with former Apple CEO Steve Jobs, who is now deceased. McAdam was trying to convince Jobs to make the iPhone 5 compatible with LTE. “I was really trying to sell him and he sat there without any reaction. Finally, he said, ‘Enough. You had me at 10 Mbps. I know you can stream video at 10 Mbps.’ And Apple’s next phone was LTE,” McAdam said.

O que me espantava no Steve Jobs é facilidade com que uma tomava decisão importante e que podia mudar o rumo de um produto/serviço da Apple (tá certo que algumas vezes tomava diversas  decisões diferentes sobre o mesmo assunto tamanha a sua preocupação com detalhes), ainda mais hoje em dia quando me vejo na posição de tomar decisões no trabalho.

Tomar uma decisão para definir um caminho, ou dar uma solução a um problema ou oferecer uma saída requer muito conhecimento, certa diplomacia e, sobretudo, bolas, mas para a maioria, ficar em cima do muro é mais fácil.

Ω

iPhone 5S ou iPhone 6?

Quando se fala no lançamento do próximo iPhone, o interesse é gigante e tudo sobre o novo aparelho é imaginado, até mesmo a numeração do modelo, para não dizer o nome (até porque a Apple não vai matar a marca iPhone tão cedo). Como estamos nos aproximando do período em que as especulações ganham vida e os rumores começam a florescer, vou fazer a minha primeira aposta:

O próximo iPhone será o “iPhone 6”.

E por que não iPhone 5? Senão vejamos.

Me parece que, desde o lançamento do iPhone 3GS, a Apple tem nos “educado” que a cada dois anos o iPhone sofre uma revolução. Vejam as diferenças de specs e design do 3G, 4 e 5 e como as versões 3GS e 4S “apenas” evoluíram o então atual modelo. Os modelos 3G, 4 e 5 apresentaram novo design (3G com casing de plástico, 4 casing de sanduíche de vidro e armação de metal e o 5 com um casing de alumínio mais fino), novos processadores, novas câmeras e apresentação de novas versões do iOS, enquanto que as versões 3GS e 4S foram “apenas” evoluções, sem mudanças drásticas, principalmente no design do aparelho.

Todavia, a prática da Apple de nomear os modelos evoluídos com o ‘S’ não me parece mais uma boa jogada: primeiro por que existe uma pressão cada vez mais crescente de que os outros fabricantes (Samsung, principalmente) parecem lançar novidades e revoluções de seus aparelhos flagships a cada ano; segundo por que a onda pessimismo da Apple que reina no mercado, entre os admiradores e na imprensa especializada está no máximo e, terceiro, marcar um novo lançamento com o rótulo ‘S’ talvez “confirme” este pessimismo.

Este tal pessimismo começou a ganhar vida com o lançamento do iPhone 4S, muito em razão do aparelho ter sido “descoberto” após um funcionário da Apple ter esquecido o aparelho num bar. Naquela época, o Gizmodo dissecou o aparelho antes do seu lançamento e algumas pessoas começaram a levantar a suspeita que aquele aparelho encontrado era um fake e, automagicamente, o aparelho não seguia a linguagem industrial da Apple etc.

Essa onda ganhou força com os eventos do “Antenna-Gate” e da vacilada do novo Maps.app e chegou ao máximo com a morte de Steve Jobs. Esse pessimismo tem sido disseminado pelo mercado de valores com previsões estapafúrdias (iWatch, iTV etc.) e com isso a Apple amarga desvalorização das ações no mercado, mesmo tendo quebrado recordes de vendas e faturamentos a cada semestre, assim como apresentando números fantásticos de lucro líquido (só o segmento iPhone gera um lucro líquido maior que o faturamento total da Microsoft…).

O pessimismo é tão forte hoje em dia que, mesmo se a Apple lançar uma iTV de 60″ com resolução 4K com AppleTV embutido, com possibilidade de comprar aplicativos, tudo comandado via Siri, tudo isso por USD$ 99, é capaz do mercado, imprensa e admiradores reclamarem que o sistema não é aberto o suficiente e que o tamanho da tela não é grande o suficiente e que a Apple está rumando para a falência.

Ken Segall parece pensar o mesmo e aborda esta questão no iPhone Naming: When Simple Gets Complicated defendendo que o próximo iPhone seja chamado de “iPhone 6” e não “iPhone 5S”:

More important, tacking an S onto the existing model number sends a rather weak message. It says that this is our “off-year” product, with only modest improvements. If holding off on the big number change achieved some great result, I might think otherwise. But look what happened with iPhone 5.

This model brought major changes: bigger screen, better camera, greater speed, all on a thinner and lighter body. Yet its improvements were still dismissed by many as “incremental.”

Assim, o momentum da imagem de companhia inovadora da Apple não é dos melhores nos últimos tempos e lançar seu produto carro-chefe com um rótulo que hoje causa a impressão de uma leve evolução pode acabar sendo um tiro no pé.

Por isso, independentemente do que vai ser apresentado como o novo iPhone, seja uma versão totalmente e radicalmente inovadora ou uma versão bem melhorada do modelo atual, acredito que o melhor nome para o próximo iPhone seja “iPhone 6”.

ultima vez eu errei, quem sabe agora eu não acerto?

Ω

A ideia do iPad nasceu há 27 anos.

Em 1983, Steve Jobs palestrou para o Center for Design Innovation e falou sobre diversos assuntos desde computação wireless até o projeto que viria a ser o Google StreetView. O post podia acabar aqui e você que está lendo ir direto para o link e ouvir o áudio  A linha de raciocínio dele era tão intensa e incrível que, em 1983, quando o computador pessoal ainda mal tinha sido inventado, Jobs já dizia que os computadores estavam destinados a virarem eletrodomésticos comuns assim como uma torradeira ou televisão, vejam só:

We think that computers are the most remarkable tools that humankind has ever come up with, and we think that people are basically tool users. So if we can just get lots of computers to lots of people, it will make some qualitative difference in the world. What we want to do at Apple is make computers into appliances and get them to tens of millions of people. That’s simply what we want to do.

Como disse, no blog do Center for Design Innovation tem o áudio da palestra. Recentemente, Marcel Brown achou um cassete original da palestra com mais 30 minutos do Q&A do Steve Jobs falando mais sobre computadores interconectados uns aos outros (prévia da internet), o conceito de loja online (o que seria a App Store). É neste áudio também que temos outra previsão do fundador da Apple: o conceito de um computador como o iPad. Sério. 27 anos atrás a Apple já entendia como a computação pessoal evoluiria até o ponto do computador se tornar um acessório pessoal.

Apple’s strategy is really simple. What we want to do is we want to put an incredibly great computer in a book that you can carry around with you and learn how to use in 20 minutes. That’s what we want to do and we want to do it this decade,

E a ideia de portabilidade era natural quando se pensava num computador feito para ser visto como um livro:

And we really want to do it with a radio link in it so you don’t have to hook up to anything and you’re in communication with all of these larger databases and other computers.

Infelizmente, a parte equivocada da previsão foi achar que um computador iPad-like seria desenvolvido ainda na década de 1980 o que acaba sendo meio contraditório quando o próprio Steve Jobs admitia que naquela época não havia tecnologia suficientemente desenvolvida para botar um computador “dentro de um livro”.

Quem ouvir o áudio pode dizer que estou viajando em achar que essas ideias se referem ao iPad e não à notebooks como antigo iBook ou MacBook, mas se prestar atenção, você vai ver que Steve Jobs menciona “mobile pocketable computers“:

One of these days, when you have portable computers with radios stuck in them, you’ll be walking around Aspen and [retrieve your messages].

iBook, MacBook, MacBook Pro e MacBook Air são portáteis, mas não ao ponto de serem carregados no bolso. É impressionante como Steve Jobs já tinha idéia do que seria o iPad, e só não podia ir adiante com esta ideia por ainda não ter a tecnologia disponível para fazer.

Ω

Curiosidades da compra da Lucasfilm pela Disney

A Disney enlouqueceu a comunidade nerd em outubro de 2012 quando anunciou a compra da LucasFilm por cerca de $4B e agora, passado alguns meses, George Lucas foi entrevistado pela Bloomsberg Businessweek contando maiores detalhes de como o negócio se desenrolou.

O artigo vale a leitura, mas alguns itens me chamaram a atenção.

Os fãs mais xiitas sempre souberam que a saga de Star Wars compreendia uma história divida em 9 episódios, mas tendo apenas os 6 primeiros produzidos e o que parecia ser ideia da Disney de filmar os últimos 3 mostrou não ser bem o caso. George Lucas sempre quis produzir os últimos filmes da saga e, pelo visto, já tinha mexido alguns (bastantes) pauzinhos para viabilizar isso. A Disney só fez foi pisar fundo no acelerador depois que adquiriu a LucasFilm:

Lucas and Kennedy hired screenwriter Michael Arndt, who won an Oscar for Little Miss Sunshine, to begin work on the script for Episode VII. They enlisted Lawrence Kasdan, who wrote the screenplays for The Empire Strikes Back and Return of the Jedi, to act as a consultant. Lucas started talking to members of the original Star Wars cast, such as Mark Hamill, Carrie Fisher, and Harrison Ford, about appearing in the films. In June 2012, he called Iger.

Melhor de tudo foi George Lucas confirmar que, de fato, Mark Hamill, Carrie Fisher e Harrison Ford JÁ ESTÃO contratados. Saca só (e imagine como o pessoal da Disney deve ter ficado bem feliz):

Asked whether members of the original Star Wars cast will appear in Episode VII and if he called them before the deal closed to keep them informed, Lucas says, “We had already signed Mark and Carrie and Harrison—or we were pretty much in final stages of negotiation. So I called them to say, ‘Look, this is what’s going on.’ ” He pauses. “Maybe I’m not supposed to say that. I think they want to announce that with some big whoop-de-do, but we were negotiating with them.” Then he adds: “I won’t say whether the negotiations were successful or not.”

Esse Lucas é um grande brincalhão.

E um último detalhe que me fez sorrir foi saber que Steve Jobs, depois que virou o maior shareholder individual da Disney (após vender a Pixar por quase $8B), ligar para Bob Iger e dizer que o mais recente lançamento da Disney (na época) era uma merda. Mais atitude é impossível:

The transaction gave Disney a new source of hit movies. Jobs also became a Disney board member and its largest shareholder. Periodically he would call Iger to say, “Hey, Bob, I saw the movie you just released last night, and it sucked,” Iger recalls. Nevertheless, the Disney CEO says that having Jobs as a friend and adviser was “additive rather than the other way around.”

Bom, o artigo vale a leitura. Acesse aqui.

Ω

iPhone? Que nada, era Telepod ou iPad

Alguns dias atrás, num evento no Departamento de Marketing da Universidade do Arizona, Ken Segall (ex-pica grossa de Advertising da Apple) compartilhou detalhes interessantes sobre o brainstorm do smartphone da companhia. Eventualmente a Apple acabou ficando com o iPhone (que já estava até no imaginário dos fãs – não que isso tenha influenciado), mas a companhia considerou outras ideias. O pessoal do 9to5Mac acompanhou o evento e tem maiores detalhes de todos os nomes considerados na época, mas o que me chamou a atenção foram dois nomes:

Telepod

O nome foi considerado pelo ar futurístico que remetia à palavra telefone. Claro que o “pod” da palavra se aproveitava do contexto de sucesso da linha iPod. Parece que este nome fazia sentido por conta do projeto “ipod-phone” do Tony Fadell, projeto este que acabou perdendo para solução de portar o OS X para uma versão móvel chamado iOS do Scott Forstall.

iPad

Este era o nome original para o iPhone por conta do projeto do tablet já em desenvolvimento e talvez fizesse mais sendido chamar o iPhone de iPad, visto que o smartphone da Apple é, na verdade, um pocket-mac e não um simples telefone.

Na realidade, se faz de tudo no iPhone como no iPad, mas no smartphone ainda tem a possibilidade de fazer ligações telefônicas (através do Phone.app) e, certamente, o nome iPhone foi utilizado como parte da “educação” dada a nós pela Apple. Lembrem-se que o iPad como conhecemos foi concebido (projeto) antes do iPhone. Tem até aquela história que o pessoal da Apple não era satisfeito com os celulares da época e resolveram “consertar” este problema.

Bom, na verdade, hoje em dia sabemos que não foi “só” esse descontentamento com as ofertas de celulares da época que levou a Apple a criar o iPhone. Steve Jobs explicou uma vez que percebeu que o mercado ainda não estava pronto para um tablet com um multi-touch screen (os antigos tablet-pc da Microsoft eram desktop miniaturizados para um tablet e não tinham sido pensados para usar com dedo e por um usuário comum, e sim destinados a mercados específicos – como hospitais/médicos).

Jobs, então, imaginou que o iPad funcionaria melhor se fosse portado para um aparelho que fosse mais familiar as pessoas: telefone celular. Com isso, o iPad foi lançado como o iPhone aproveitando o imaginário comum das pessoas e induzindo-as a acreditarem que aquele aparelho era um super telefone e não um pocket-mac que fazia, entre outras milhares de coisas, ligações telefônicas. Como o celular já tinha chegado a um ponto de uso diário e repetido, a pessoas rapidamente aprenderiam a usar o iPhone.

E foi o que aconteceu. Após 3 anos de intervalo, o iPad, ao ser lançado em 2010, causou aquele alvoroço de era apenas um iPhone grande (e, na prática, é isso mesmo, menos o nativo Phone.app). Só que ninguem se deu conta que o público já estava acostumado (ou educado) pela Apple para usar o iPad sem curva de aprendizagem, graça aos iPhone.

Dito isso, é sempre interessante saber um pouco mais das engrenagens da Apple e ver as idéias por trás do gadget que mais revolucionou o mercado na última década. Mais interessante ainda é ver como a Apple acertou em seguir com o nome iPhone.

Ω

iPad mini or iPhone mega?

Finalmente a Apple se rendeu ao mercado de tablets de 7″, ainda que o iPad mini esteja beirando as 8″ e pela primeira vez eu tenho a impressão de que temos um iPhone mega e não um iPad mini. É claro que ainda preciso usar um, mas pelo que eu li, o aparelho realmente é pequeno o suficiente para ser usado com uma das mãos.

E antes que falem que o Steve Jobs é “full of crap” ao garantir que a Apple jamais lançaria um tablet menor porque já tinha estudado todos os tamanhos de tela, e que 10″ era o mínimo ideal e tal, lembrem-se que ele é um grande sacana, antes mesmo de ser um inovador.

Isso sem contar que todos os lançamentos da Apple nós próximos 8 anos tem influência direta do cara o que ajuda a afastar a ideia de que a Apple está copiando a concorrência. Sei que vão falar que Barnes & Noble, Amazon, Samsung e RIM já lançaram seus tablets de 7″ e que a Apple está desesperada e tal, mas vejam que o iPad mini é tão robusto ou mais do que o iPad 2, aparelho que até hoje dá um couro na concorrência.

Só por curiosidade, em 2003, Jobs disse que, inobstante o sucesso da Apple com aparelhos portáteis (iPods), a companhia não iria se arriscar a fazer tablets ou smartphones pois era um segmento fadado ao fracasso. Era brinks dele:

Walt Mossberg: A lot of people think given the success you’ve had with portable devices, you should be making a tablet or a PDA.
Steve Jobs: There are no plans to make a tablet. It turns out people want keyboards. When Apple first started out, “People couldn’t type. We realized: Death would eventually take care of this.” “We look at the tablet and we think it’s going to fail.” Tablets appeal to rich guys with plenty of other PCs and devices already. “And people accuse us of niche markets.” I get a lot of pressure to do a PDA. What people really seem to want to do with these is get the data out . We believe cell phones are going to carry this information. We didn’t think we’d do well in the cell phone business. What we’ve done instead is we’ve written what we think is some of the best software in the world to start syncing information between devices. We believe that mode is what cell phones need to get to. We chose to do the iPod instead of a PDA.

Em 2004 ele fez outra pegadinha do Mallandro™,  ao ridicularizar a ideia de video num iPod, como reportado pelo Gizmodo:

Mr. Jobs addressed the issue of video on iPods when asked by Mike Wendland of the Detroit Free Press whether or not Apple was looking to add features to the iPod. “We want it to make toast,” replied Mr. Jobs. “We’re toying with refrigeration, too.” While intended to get a laugh, which it did, Mr. Jobs also offered a more substantive answer as to why Apple had heretofore not added too many features to the iPod. “One of the things we say around Apple, and I paraphrase Bill Clinton from the 1992 presidential race, is ‘It’s about the music, stupid.'” Mr. Jobs says that there is a big difference between the way people listen to music and other activities like watching videos. Specifically, he said, you can listen to music in the background, while movies require that you actually watch them. “You can’t watch a video and drive a car,” he said. “We’re focused on music.”

Tem várias outras pérolas do cara. Se buscarem vão achar.

Agora é esperar o fracasso da Apple vender milhões.

Ω

Steve Jobs: Um ano depois

Steve Jobs, co-fundador e CEO da Apple, foi a força que popularizou a computação como a conhecemos hoje. Foi a idéia dele de transformar o PC num eletrodoméstico como uma torradeira, geladeira ou televisão, permitindo assim fazer parte da nossa rotina.

Apesar de não ter conhecido Steve pessoalmente, tive a  felicidade de testemunhar a transformação cultural da computação e tecnologia e ver o impacto que causou na nossa rotina diária. Talvez os Beatles tenham feito o mesmo para os meus pais.

Por isso, exatamente um ano depois do mundo perder Steve Jobs, gostaria de registrar minha homenagem e lembrança ao mais temperamental, triunfante, falível, tecnólogo e artista do meu tempo.

Here’s to the craziest one. And, while some may see him as the crazy one, we see genius. Because the people who are crazy enough to think they can change the world, are the ones who do.

RIP

Ω

Thermonuclear

O Google já falou que não se sente ameaçada com o veredito favorável para a Apple e que as patentes violadas não tem ligação com core do Android. Então, por que o Nexus (produzido pela Sammy para o Google) foi um dos alvos do processo? Parece que teve cópia sim.

Steve Jobs prometeu que gastaria seu último fôlego (que já acabou) e até o último centavo da Apple para impedir que o Google continuasse copiando as ideias do iOS para Android. Centavos não faltam para a Apple. Diria que, depois da Samsung, o próximo alvo será o Google.

Acho que é questão de tempo. O processo da Apple contra Samsung ainda tem muita lenha para queimar, mas assim que transitar em julgado, não me espantaria com a promessa do Jobs sendo cumprida.

Em busca de menos

Li um artigo interessante, e devo dizer quer concordo com o racioncínio, de que muito sucesso leva, invariavalmente, ao fracasso.

Greg McKeown, do Harvard Business Review, explica o motivo de pessoas bem sucedidadas não se tornarem extremamente bem sucedidadas. A razão seria o “paradoxo da clareza”:

Why don’t successful people and organizations automatically become very successful? One important explanation is due to what I call “the clarity paradox,” which can be summed up in four predictable phases:

Phase 1: When we really have clarity of purpose, it leads to success. 
Phase 2: When we have success, it leads to more options and opportunities. 
Phase 3: When we have increased options and opportunities, it leads to diffused efforts. 
Phase 4: Diffused efforts undermine the very clarity that led to our success in the first place.

Curiously, and overstating the point in order to make it, success is a catalyst for failure.

Diria que este tal paradoxo é seguido à regra pela Apple, incurtido na companhia pelo Steve Jobs que sempre se gabava da habilidade de falar mais “não”  do que “sim” e travar o lançamento de produtos/idéias que não fossem, pelo menos, perfeitos. No All Things D de 2004, quando perguntado sobre o PDA da Apple (antes de imaginarmos o iPhone, mas que, certamente, estava sendo desenvolvido na época), Steve Jobs falou:

“I’m as proud of the products that we have not done as I am of the products we have done.”

Tim Cook se expressou de maneira similar, o que nos convence que o foco em menos é uma filosofia da companhia e não apenas discurso:

“We say no to good ideas every day; we say no to great ideas; to keep the number of things we focus on small in number.”

Sempre me levei por este lema, tanto que hoje em dia tento me focar no trabalho em poquíssimas tarefas por vez (sempre moniorado por uma lista de prioridades, é claro).

 

 

 

 

Steve Jobs na lista dos 20 americanos mais influentes

Não precisa falar muito, até porque é mais do que merecido:

Jobs was a visionary whose great genius was for design: he pushed and pushed to make the interface between computers and people elegant, simple and delightful. He always claimed his goal was to create products that were “insanely great.” Mission accomplished.