Apple’s Way e a tão sonhada TV

Tim Cook foi entrevistado por Brian Willains, âncora do Rock Center (NBC) pela primeira vez como CEO da Apple, o que por si só já vale ver. A entrevista é boa, mas não revela muito sobre os próximos produtos/projetos da Apple, mas demonstra como o espírito do Steve Jobs faz parte da cultura da companhia:

Our whole role in life is to give you something you didn’t know you wanted. And then once you get it, you can’t imagine your life without it. And you can count on Apple doing that.

Dos produtos não anunciados pela Apple, Tim Cook soltou uma pista sobre as intenções da companhia para o mercado de TV’s:

It’s a market that we see, that has been left behind. You know, I used to watch “The Jetsons” as a kid. I love “The Jetsons.” We’re living “The Jetsons” with this. It’s an area of intense interest. I can’t say more than that. But…

Ainda acho que Tim Cook se refere ao Apple TV, mais do que uma TV da Apple. O Apple TV sempre foi tratado como um hobby experimentado pela companhia para entender melhor o mercado. Com o comentário do Tim Cook o mercado de TV é de intenso interesse da Apple, soa mais com uma revisão/revolução da próxima geração do Apple TV.

Ω

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Bom Design é Inevitável

Na onda do iPhone 5, algumas pessoas não ficaram satisfeitas com o novo modelo apresentado por Tim Cook. Na verdade, não entendo o que as pessoas esperam da Apple. Elas querem um iPhone que faça o que mais? Que purifique água?

Falando das inovações (ou a falta delas), o design do iPhone 5 é o melhor até agora. Um bom design é inevitável e inexorável. Cada versão é construída usando os acertos da anterior, tornando-se melhor e melhor a cada vez. O que Jonathan Ive fez é um exemplo quase perfeito. O iPhone 5 é o melhor iPhone feito até hoje porque era inevitável que não fosse:

We try to develop products that seem somehow inevitable. That leave you with the sense that that’s the only possible solution that makes sense. Our products are tools and we don’t want design to get in the way. We’re trying to bring simplicity and clarity, we’re trying to order the products.

O grande problema de inovação do iPhone é a própria inovação trazida na 1ª geração em 2007. Lá no começo o iPhone já veio como um produto excelente e, mesmo o iPhone 5 sendo a epítome deste processo, as melhoras são discretas ao ponto de muitos reclamarem que o iPhone não tem uma tela de 5″.

Ω

Vitória da inovação

A esta altura, todo mundo já sabe que a Apple venceu a dispusta contra a Samsung sobre violação de patentes. Como já tinha falado algumas vezes, esta disputa não compromete a competição e inovação. Na realidade, entendo que a vitória da Apple é uma grande vitória à todos que esperam ver a fabricante do iPhone continuar inovando.

Caso contrário, como justificar bilhões de dólares em pesquisa e desenvolvimento para trazer produtos inovadores se tem empresas que apenas se dão o trabalho de copiar? Sem contar que acabam vendendo uma experiência pior sob o véu da semelhança.

Ainda bem que a  inovação venceu.

Em busca de menos

Li um artigo interessante, e devo dizer quer concordo com o racioncínio, de que muito sucesso leva, invariavalmente, ao fracasso.

Greg McKeown, do Harvard Business Review, explica o motivo de pessoas bem sucedidadas não se tornarem extremamente bem sucedidadas. A razão seria o “paradoxo da clareza”:

Why don’t successful people and organizations automatically become very successful? One important explanation is due to what I call “the clarity paradox,” which can be summed up in four predictable phases:

Phase 1: When we really have clarity of purpose, it leads to success. 
Phase 2: When we have success, it leads to more options and opportunities. 
Phase 3: When we have increased options and opportunities, it leads to diffused efforts. 
Phase 4: Diffused efforts undermine the very clarity that led to our success in the first place.

Curiously, and overstating the point in order to make it, success is a catalyst for failure.

Diria que este tal paradoxo é seguido à regra pela Apple, incurtido na companhia pelo Steve Jobs que sempre se gabava da habilidade de falar mais “não”  do que “sim” e travar o lançamento de produtos/idéias que não fossem, pelo menos, perfeitos. No All Things D de 2004, quando perguntado sobre o PDA da Apple (antes de imaginarmos o iPhone, mas que, certamente, estava sendo desenvolvido na época), Steve Jobs falou:

“I’m as proud of the products that we have not done as I am of the products we have done.”

Tim Cook se expressou de maneira similar, o que nos convence que o foco em menos é uma filosofia da companhia e não apenas discurso:

“We say no to good ideas every day; we say no to great ideas; to keep the number of things we focus on small in number.”

Sempre me levei por este lema, tanto que hoje em dia tento me focar no trabalho em poquíssimas tarefas por vez (sempre moniorado por uma lista de prioridades, é claro).