Guy Fawkes, Conspiração da Pólvora, Anonymous e o Problema da Primavera Brasileira

Nos últimas meses, a minha dose diária de leitura foi inflamada por conta do excesso de publicações a respeito das manifestações por um Brasil melhor, a tal a Primavera Brasileira. Depois de tanto ler, vi que as pessoas se apropriam de toda sorte de símbolos para ocupar as ruas, o que é ótimo quando se é usado com o mínimo de inteligência.

Acontece que vejo justamente o contrário nas ruas. Já repararam? Não? Bom, percebam que existe um elemento que tem ficado cada vez mais popular nas manifestações por todo o Brasil. Não são as revindicações efêmeras ou os destemperos de alguns vândalos que aproveitam para fazer estrago ou que são encomendados pelo próprio governo para destabilizar ou descreditar o movimento por um país melhor.

O elemento em comum que me refiro é a máscara com um rosto predominantemente pálido, bochechas avermelhadas proeminentes, um bigode negro e um sorriso debochado. Trata-se de uma máscara que representa muito mais do que um sorriso debochado.

Uma pena que poucos tenham noção do simbolismo que a máscara carrega. Pior ainda são os outros tantos que entenderam tudo errado.

O uso indiscriminado deste rosto pálido nas manifestações da Primavera Brasileira demonstra a falta de intimidade da povo com as ruas para revindicar melhorias e, mais ainda, a total ignorância pela história das manifestações, principalmente nos países anglo-saxões. Talvez o uso da máscara seja uma associação vazia aos protestos, ou ao grupo Anonymous que usou a máscara pela primeira vez. Ou ao filme V for Vendetta.

Beneath this mask there is more than flesh. Beneath this mask there is an idea, Mr. Creedy, and ideas are bulletproof.

Fico profundamente incomodado que uma gigantesca parcela destes mascarados não conhecem a verdadeira origem do artefato e nem o simbolismo presente nesse rosto. Essa ignorância contribuiu para a banalização do símbolo, a ponto da peça ser usada protestos pacíficos. Isso é de uma contradição louca, total contrassenso. A máscara é uma metáfora para um símbolo maior, mas que tem no seu âmago a derrubada de governos totalitários.

Agora, o que ou quem a máscara representa? Do que se trata o filme V for Vendetta? Quem são os Anonymous? E por que a máscara é tão famosa em manifestações?

Guy Fawkes e a Conspiração da Pólvora

A máscara vista no filme V for Vendetta tem sua origem durante o reinado do monarca protestante Jaime I, conhecido por suas políticas opressoras contra a população católica. Porém, o personagem principal é o britânico Guy Fawkes, principal responsável por uma das maiores e mais famosas conspirações da história.

Após uma conversão ao catolicismo e uma temporada na Espanha lutando na Guerra dos Oito Anos (que resultou na independência da Holanda, antes uma colônia espanhola), Guy Fawkes retornou à Inglaterra derrotado. Na volta, Fawkes buscou apoio do governo espanhol para promover um levante católico na própria Inglaterra. Claro que os espanhóis se recusaram.

Mesmo assim, Fawkes não tinha mudado de ideia e, com apoio de seu amigo Thomas Wintour, conheceu Robert Catesby e seu plano para assassinar o rei Jaime I e restaurar a monarquia católica. A ideia era simplesmente genial: explodir o Parlamento Inglês, plantando trinta e seis barris de pólvora nos túneis que passavam logo abaixo da Casa.

Ao mesmo tempo que a ideia era genial, era igualmente perigosa. A explosão prevista seria tão violenta que os conspiradores temiam que muitos inocentes, especialmente católicos, acabassem morrendo. Para evitar esse dano colateral ou fogo amigo (não sei), os conspiradores distribuíram silenciosamente cartas anônimas a alguns defensores da causa católica pedindo que evitassem as proximidades do Parlamento.

Remember, remember the 5th of November. The gunpowder treason and plot. I know of no reason why the gunpowder treason should ever be forgot.

Obviamente que as cartas foram uma cagada de ideia e, para o infortúnio dos conspiradores, o conteúdo da carta logo chegou aos ouvidos do rei Jaime I, que imediatamente ordenou uma revista completa dos túneis sob o Parlamento. Não deu outra: Guy Fawkes foi pego com batom na cueca.

Guy Fawkes não causaria um impacto na história se não fosse pela sua coragem ao resistir a tortura do interrogatório, que impressionou o rei Jaime I e o chamou de “um homem de resolução romana”. No entanto, a caminho da forca, Fawkes escapa dos guardas e se joga de uma escadaria, quebrando o pescoço e evitando o agonia da execução.

Os livros batizaram o evento como a Conspiração da Pólvora o que criou uma tradição mantida até os dias de hoje: todo o dia 5 de novembro (data da prisão de Guy Fawkes) a Rainha vai até o Parlamento Inglês e ordena, simbolicamente, uma revista dos túneis subterrâneos. Nas ruas, os ingleses queimam bonecos do conspirador. Conspirador este que se tornou um símbolo na graphic novel V for Vendetta de Alan Moore e David Lloyd.

V for Vendetta

Inspirando-se diretamente na Conspiração da Pólvora, na década de 1980, o quadrinista Alan Moore nos presenteou com a graphic novel V for Vendetta, e, em 2005, a história foi adaptada ao cinema pelos Wachowskis e a obra se popularizou de vez.

A trama é passada numa versão distópica da Inglaterra, vencedora de uma guerra nuclear, mas que transformando o país numa potência controlada a ferro e fogo por um regime fascista. Nesse contexto, aparece “V”, um revolucionário anarquista mascarado que planeja uma conspiração quase poética para explodir o Parlamento Inglês.

More than 400 years ago a great citizen wished to embed the fifth of November forever in our memory. His hope was to remind the world that fairness, justice, and freedom are more than words, they are perspectives.

Por um acidente, “V” é transformado numa máquina de matar após experimentos realizados num campo de concentração nessa Inglaterra fictícia. Além dos poderes (quase) sobre-humanos, V é dotado de grande intelecto artístico, cultural e filosófico, o que lhe dá subsídio para iniciar um plano de caça sistemática dos líderes do regime, inflamar o povo a se voltar contra o Estado e, é claro, explodir o Parlamento. Explodir o Parlamento, neste caso, é apenas a cereja do no topo do bolo. A ideia aqui é a ideia em si, a ideia como um combustível para que o povo saia da inércia e faça o governo trabalhar pelo o povo e não contra.

Por conta dos experimentos sofridos, “V” tem o rosto destruído por queimaduras e precisa esconder a sua face. Aproveitando essa necessidade, V usa da sua deficiência para constantemente lembrar ao regime fascista o seu plano maior. V esconde o rosto com uma máscara que lembra as feições de Guy Fawkes.

O resultado disso tudo é a revolta do povo contra um Estado corrupto. Assim, V for Vendetta se tornou uma espécie de “obra sagrada” que norteia vários grupos ativistas pelo mundo. O mais conhecido deles é o Anonymous.

Anonymous e o Problema da Primavera Brasileira

É dificil descrever o Anonymous, mas o “grupo” parece se resumir à uma rede interligada de ativistas virtuais (ou hacktivistas) que opera através de uma estrutura descentralizada sob o conceito de que todos os seus membros formam uma espécie de “consciência global”.

O grupo surgiu como uma brincadeira perdida lá no fórum 4chan e, inicialmente, a ideia da brincadeira se resumia em desativar coordenadamente, apenas para o lulz, sites de filiação governamentais ou corporativistas. Em 2008, quando o grupo engrossou o caldo e se voltou contra a Igreja da Cientologia, os “Anon’s” (como seus membros são chamados) alcançaram fama internacional.

We are Anonymous. We are Legion. We do not forgive. We do not forget. Expect us.

A fama dos Anon’s é resultado da divulgação de ideias libertárias, denúncia de esquemas de corrupção e uma caçada bem sucedida de uma quadrilha de pedófilos, porém nem tudo são flores, o grupo também já foi associado a vários atos criminosos, como invasões de sites governamentais e exposição de conteúdo sigiloso, o que rendeu a denominação de “cyber-terroristas” (cyber? vivemos ainda em 1980?).

De toda forma, o Anonymous mudou a forma de como se articula protestos. Não é a toa que a revista Time os elegeu como uma das 100 entidades mais influentes do planeta, influência esta que vem sendo marcada pelo uso da máscara de Guy Fawkes estilizada pela graphic novel – e popularizada pelo filme – V for Vendetta, como se pode ver em diversos vídeos de divulgação, avatares ou até durante manifestações.

Aliás, V for Vendetta serve ao grupo muito além da máscara de “V”. As citações, ideologias, cenas do filme, personagens e até a trilha sonora do filme são frequentemente estampados em sites invadidos pelo grupo. O rosto de Guy Fawkes só ganhou as ruas e tornou-se sinônimo de manifestação quando dois grandes eventos mudaram para sempre os rumos de várias democracias do planeta: a Primavera Árabe e Occupy Wall Street.

Os protestos ocorridos em 2011 no Oriente Médio batizados de Primavera Árabe, movimento que varreu o mundo árabe e derrubou vários governos “legítimos” de 20 e tantos países nasceu quando o vendedor tunisiano Mohamed Bouazizi resolveu dar uma de Johnny Storm e lambeu o próprio corpo com fogo como uma forma de protesto após ser humilhado e ter seus bens confiscados pelo governo. É claro que Bouazizi não tinha imaginado que seus atos proporcionariam combustível (;D) para a onda de protestos que seriam deflagrados.

Como o ocidente não pode ficar para trás, o clamor árabe pela democracia inspirou o movimento Occupy Wall Street. Em especial, quase no fim de 2011, o protesto “Occupy Wall Street” (Ocupe Wall Street) levou milhares de pessoas ao distrito financeiro de Nova York para protestar contra a desigualdade econômica e social dos Estados Unidos. A repercussão foi imensa e centenas de outras cidades ao redor do mundo repetiram a mobilização.

O elemento em comum da Primavera Árabe e o movimento Occupy é o Anonymous que, inspirado em V for Vendetta, transcendeu os ideais libertários através da comoção popular nas redes sociais, usando a máscara apenas como símbolo. A ideia por trás do Anonymous, Primavera Árabe e Occupy é a derrubada de governos totalitários por um povo insatisfeito com décadas de desigualdades.

A máscara representa uma ideia. Uma ideia que começou com Guy Fawkes, popularizado com elementos da ficção e disseminado pela internet para escapar dos livros de história. Uma ideia de que todo povo é livre para exigir o melhor daqueles que os representam no poder, inclusive a sua renúncia. Uma ideia de que o poder emana do povo, e do povo apenas. Uma ideia que permite uma luta. Uma ideia de que o governo é do povo, e não o contrário.

Em 20 de Janeiro de 1961, John F. Kennedy foi muito feliz no seu Inaugural Address, quando disse com clareza qual é o papel do povo:

And so, my fellow Americans: ask not what your country can do for you — ask what you can do for your country.

Ideia. É justamente neste ponto que a tal Primavera Brasileira falha. Ninguém no Brasil entendeu que sem uma ideia, não temos luta. Só sobra o vandalismo e isso não constrói um pais melhor. Aliás, o vandalismo só usa a máscara para cobrir o rosto, sem saber o que o símbolo representa. Ainda, movimentos pacíficos que usam esta máscara não percebem que anarquia nasce de um povo em guerra. Um povo em guerra com si mesmo, por não aceitar mais testemunhar um oceano de dificuldades e desigualdades. Um povo que luta por dias melhores, pronto para derrubar um governo que não nos presta.

O problema da nossa Primavera Brasileira é que a maioria dos envolvidos querem uma desculpa para fugir do trabalho. A Primavera Brasileira quer fazer barulho para baixar a tarifa do ônibus, reclamar de ingressos caros para assistir a copa, mas esquecem que estes são problemas periféricos e que uma vez resolvidos o movimento perde fôlego e desaparece. Precisamos entender que está na hora de não aceitar os desmandos dos governantes e que abusam do poder, dado pelo povo, para proveitos particulares. A ideia é que o Brasil é nosso e não de quem o governa.

No dia que entenderem que a luta vai começar de verdade com uma ideia sólida que representa a insatisfação de todo o povo, será impossível não ser ouvido, sem necessidade de quebra-quebra, arruaça ou baderna.

Ideias são à prova de balas, não importa a máscara que se use. De repente, no dia que tivermos uma, nem precisaremos de máscara.

Se tiverem interesse, podem achara a graphic novel aqui ou o filme aqui.

Ω

A Obsolência Programada e a Centennial Light

O ano mal chegou na metade e eu já troquei 3 vezes a lâmpada do closet da minha esposa. Sério. Não é possível que a lâmpada dure apenas 60 dias antes de queimar, mesmo uma instalada com acendimento automático que, em tese, poderia diminuir a vida útil da lâmpada.

Na verdade, se pensar bem não faz o menor sentido, afinal, a lâmpada foi feita para fazer comutação (ligar e desligar) sempre que necessário, uma vez que não há bolso que aguente pagar uma conta de luz com lâmpadas ligadas ininterruptamente. Então, ligar e desligar, seja de forma automática ou manual, é uma condicio sine qua non da lâmpada.

Insatisfeito por ter que trocar mais uma vez a lâmpada do closet (vejam que a insatisfação diz respeito à frustração de mais uma lâmpada queimada e não por atender um pedido da minha esposa, que fique bem claro), resolvi pesquisar pelas interwebs se a GE, OSRAM ou Philips já  faziam lâmpadas que durassem mais. De repente até lâmpadas que não queimassem.

Antes mesmo de começar uma pesquisa interminável por um produto que, certamente, não existe, me dei conta que as fabricantes de lâmpadas sobrevivem pela falha total do produto que vendem. Vejam só que paradoxo: as fabricantes vendem a solução (lâmpada para iluminar), mas dependem da falha previsível desta mesma solução (queimar a lâmpada), para que possam continuar a vender a solução. Ou seja, as fabricantes sobrevivem às custas das suas próprias lâmpadas queimadas. É quase como se as fabricantes produzissem o seu produto com uma falha embutida ou uma vida útil contada.

Acontece que esse paradoxo é, na realidade, um conceito chamado de  Obsolência Programada, concebido originalmente num ensaio escrito por Bernard London em 1932, como uma forma do governo de voltar a estimular o consumo após a crise da bolsa de 1929. Entretanto, o termo ganhou o mundo pelo designer industrial Brooks Stevens numa conferência para publicitários em 1954 quando definiu a Obsolência Programada como:

Instilling in the buyer the desire to own something a little newer, a little better, a little sooner than is necessary.

A lógica por trás da Obsolência Programada é gerar volume de vendas a longo prazo, reduzindo o tempo entre compras ou encurtar o ciclo de substituição. Bom, depois de ter lido sobre esse conceito industrial e mercadológico de dar fim à produtos para que se estimule a compra de novos, descobri o movimento SOP (Sin Obsolescencia Programada) de Benito Muros que, assim como eu, se sente enganado com lâmpadas que não duram quase nada e parecem ser produzidas para queimarem rapidamente. Acontece que essa fera parece que está mais indignado do que eu, visto que ele fundou a OEP Electrics e criou lâmpadas que duram para sempre.

De acordo com Muros, as lâmpadas da OEP gastam 92% menos eletricidade que uma lâmpada incandescente, 85% em relação às alógenas e 70% em relação às fluorescentes, tem garantia de 25 anos funcionando 24 horas por dia, 365 dias por ano. Além disso, não se queimam mesmo com excesso de comutações (OEP garante 10.000 diárias), ascendem na hora, não emitem raios ultravioleta e nem infravermelho (Evitando problemas de pele e nos olhos).

Melhor de tudo é que estas novas lâmpadas não possuem metais pesados nem gases inertes que demoram para desintegrar, são 100% recicláveis e seguem todas as normas ambientais, emitindo 70% a menos de CO² e praticamente não esquentam, evitando o risco de incêndio, ao contrário das lâmpadas convencionais que gastam 95% da energia para produzir calor e 5% para iluminar.

Vou encomendar a minha.

O bacana disso tudo é que a inspiração de Muros para lutar contra a Obsolência Programada veio depois que viu existe uma lâmpada eternamente acesa que fica na sede do Corpo de Bombeiros de Livermore, na Califórnia. A tal lâmpada está lá iluminando ininterruptamente desde 1901 e neste mês de Junho comemorou-se 112 anos. Sério, festa de aniversário para uma lâmpada.

Não estou zuando. Tem até um nome foda: Centennial Light. Só na América.

Agora, uma lâmpada que nunca se apagou, desde 1901. WHAT SORCERY IS THIS?

Dizem que a duração desta lâmpada é possível pois gera iluminação pelo aquecimento filamentos de carbono, diferente das de tungstênio de hoje em dia. Entretanto, não parece que a durabilidade da lâmpada nada tem a ver com o tipo de filamento e a relação somente é feita com o uso de filamento de carbono pelo fato destas lâmpadas terem sido produzidas antes do conceito de Obsolência Programada.

O fenômeno é tão peculiar, que a lâmpada centenária possui uma webcam ligada 24 horas, filmando seu funcionamento. Por incrível que pareça, 2 webcams já quebraram, enquanto o incrível objeto continua intacto.

Ω

Trail Run e a Gravidade

Técnica de corrida de trail do Manuel Lago, ultramaratonista e trail runner premiado no Brasil:

Na banguela – Ao descer, muitos ainda acham que devem inclinar o tronco para trás ajudando a frear. Ledo engano. É importante que você mantenha o corpo inclinado para frente e tente correr cada vez mais “leve”. A pisada deve se dar com o antepé e não com o calcanhar.

Correr é fácil, qualquer um faz. Agora, correr com técnica requer treino, concentração e muita dedicação. Quer saber mais, visite ML Mix Run.

Ω

Krypton existe, de acordo com o Paradoxo de Fermi

O universo é impossivelmente imenso, certo? Então, nada é mais sensato do que estimar que vida inteligente fora da Terra é perfeitamente plausível, correto? Bom, a comunidade científica já estabeleceu que o universo é velho e teria cerca de 13,73 bilhões de anos e que possui um número vasto de estrelas, o que sugere que a Terra é um planeta típico e, então, vida extraterrestre deveria ser comum.

Entretanto, apesar da possibilidade relativamente alta, a capacidade de comprovar a existência de vida inteligente fora da Terra parece improvável. Numa “conversa fiada” entre amigos durante um almoço em 1950, o físico Enrico Fermi questionou por que não se tinha evidências de espaçonaves ou sondas extraterrestres, ainda que fosse possível, matematicamente, a existência de um grande número de civilizações extraterrestres avançadas na galáxia.

Se pensar bem, é muito estranho não termos evidências sólidas e claras de que não somos os únicos no universo.

De toda forma, em 1975, o astrofísico Michael H. Hart publicou um artigo¹ que deu suporte científico para a conclusão de que a única forma de vida inteligente na Via Láctea residiria no planeta Terra. Este exame detalhado é, às vezes, referenciado como Paradoxo de Fermi-Hart, ou apenas o Paradoxo de Fermi.

A partir do Paradoxo de Fermi, certos teóricos acreditam que a aparente ausência de evidência é a prova necessária da ausência de extraterrestres, outros acreditam em possíveis cenários em que o “silêncio” pode ser explicado sem descartar a possibilidade de vida extraterrestre, incluindo suposições sobre o comportamento e tecnologia alienígenas. Essas explicações hipotéticas são essencialmente argumentos que contestam a equação de Drake².

Se você leu até aqui, deve estar perguntando o que isso tem a ver com um planeta inventado nos quadrinhos do Superman. Bom, com base numa das explicações teóricas sobre o Paradoxo de Fermi é possível que Superman exista. Perdi você? Vou explicar melhor.

Uma das teorias que explicam o paradoxo repousa na premissa que “vida inteligente tende à se auto-destruir”. Este é o argumento que diz que civilizações altamente tecnológicas geralmente, ou invariavelmente, destroem a si mesmas antes ou pouco depois de desenvolver tecnologias de rádio e viagem espacial.

Dentre as várias formas de aniquilação, experimentos de alta energia, uma super-inteligência mal programada (Braniac) ou uma catástrofe de proporções malthusianas após a deterioração das estruturas naturais de um planeta. Esse tema já foi explorado na ficção, e pelas próprias revistas em quadrinhos do Superman.

Em 1966, Carl Sagan e Iosif Shklovskii propuseram que civilizações tecnológicas seriam mais capazes a tender à auto-destruição algum tempo após desenvolverem capacidade de comunicação ou viagem interestelar do que ter êxito em controlar tendências auto-destrutivas e sobreviver por bilhões de anos.

Se considerarmos a possibilidade de que exista algum outro planeta noutra galáxia com condições favoráveis à vida, mas que é muito mais avançada do que a nossa Terra, é possível que já tenham desenvolvido tecnologias do tipo viagem interstelar e que estejam muito próximo da autodestruição. Ainda, se este dado planeta é extremamente avançado tecnologicamente, é prudente aceitar que considerem um plano para escapar do planeta para colonizar outro na esperança de perpetuar a sua espécie.

Vamos dizer que, agora, tá rolando um salseiro brabo neste planeta, e as autoridades não conseguem definir que soluções/sacrifícios fazer para evitar a iminente destruição do planeta. Ainda, vamos assumir que, em meio às manifestações populares (risos), um jovem pai, e brilhante cientista, vê a merda instalada e resolve salvar a própria espécie mandando seu único filho em nossa direção.

É possível que, neste exato momento, Krypton esteja à beira do colapso e Jor-El está prestes a enviar seu único filho em direção da Terra. Kal-el poderia estar à caminho do Kansas.

Já não bastava a América ter a Disney, inventado a Coca-Cola e iPhone. Agora vão ter um Superman só deles.

E a gente aqui no Brasil ouvindo Anitta. Valeu vida.

Ω


  1. O paradoxo de Fermi-Hart aborda o fato de que extraterrestres não existem porque, até o presente momento, não há evidência alguma da existência de vida extraterrestre ou de contato com algum sinal vindo deles, embora a presença de vida na Terra possa parecer implicar a sua presença em outros planetas com condições similares. A explicação pela falta de contato com outra civilização mais próxima poderia ser pelo fato de estar localizada além do horizonte cosmológico e, portanto, incapaz de se comunicar com a Terra. Esta é uma resolução cosmológica do paradoxo de Fermi-Hart que, se válido, implica a existência de extraterrestres, mas que não pode ser contatado.
  2. Em 1961, Dr. Frank Drake formulou uma equação que é uma tentativa de encontrar um jeito sistemático para avaliar as numerosas probabilidades envolvidas com a existência ou não de vida alienígena. Os fatores levado em conta na equação são: a taxa de formação de estrelas na galáxia; a fração de estrelas com planetas e o número de planetas que são habitáveis; a fração de planetas que desenvolvem vida, a fração de vida inteligente e a fração de vida inteligente que é suficientemente avançada para ser detectada tecnologicamente; e finalmente por quanto tempo essas civilizações são detectáveis. O maior problema dessa equação é que os últimos quatro termos são completamente desconhecidos.

Google sabe onde estamos. De verdade.

Google finalmente calibrou o serviço de localização para o Maps.

Por um bom tempo (mais do que consigo me lembrar), a inabilidade do Google’s me localizar com precisão me deixou maluco. Acontecia de entrar num site e ser localizado como se tivesse do outro lado do mundo ou no meu endereço de casa quando ainda estava no trabalho (vice-versa).

Parece que consertaram.

Ω

 

N.E: Este post tinha sido escrito originalmente em inglês em 27/07/2012. Como a língua oficial deste blog é o português brasileiro, resolvi traduzir os posts em inglês.

iOS 7 é mais do que uma demão

Mesmo o iOS 7 sendo uma nova abordagem ao sistema móvel apresentado pela Apple, a maioria das pessoas ainda se preocupa em dizer que o visual da nova versão do iOS já nasceu batido porque é, na realidade, um apanhado de cópias do Android, Windows Phone 8 e BB10.

Diria que as semelhanças tem mais a ver com as novas funcionalidades apresentadas no iOS 7 que alguns sistemas já tem, de uma forma ou de outra. Porém, continuo achando que a arquitetura, assim como o UI, do iOS 7 é algo distinto do que se tem no mercado.

Allen Pike falou algo que merece destaque:

By hanging up their rich textures in favour of rich effects, Apple has gone well beyond a coat of paint. If people fall in love with this new, beautifully living aesthetic, there will be an argument for building native apps for years yet.

Basta analisar/usar o iOS 7 (mesmo em beta) para ver que as mudanças do sistema, quando comparado ao iOS 6, não são apenas visuais (tonalidades das cores, novos ícones etc.). O uso lógico e com regra de física, dinamismo, movimento, profundidade, tridimensionalidade, transparência e perspectiva dão ao iOS 7 uma fluidez maior no uso e uma nova gama de possibilidades para a criação de novos Apps.

Claro que o sistema precisa ser polido, mas o começo é bastante promissor.

Ω

O Design do iOS 7

Finalmente, foi apresentado no keynote da WWDC a mais recente versão do sistema operacional móvel da Maçã: iOS 7.

Usei uma versão beta do sistema por alguns dias e já posso adiantar um pouco do que gostei e não gostei, mas antes é preciso falar um pouco do contexto que pude entender após o que foi apresentado. Só agora resolvi escrever, pois ainda precisei digerir toda essa grande novidade.

Nunca se contestou a capacidade do Jony Ive quando se fala em hardware, mas durante os últimos 8 meses pairava sobre a Apple a dúvida se Ive teria a mesma habilidade para liderar a revolução do design do software na companhia. Na verdade, o mercado tinha esta dúvida como a principal e crucial para o futuro da Apple.

Sem Jobs no comando, Ive foi oficialmente apontado como o novo responsável pela inovação dentro da Apple, agora com um título de SVP de Design. Até segunda-feira, não tínhamos ideia se o Tim Cook tinha acertado ou não. Hoje, após alguns dias usando o iOS 7, posso dizer que Ive é a pessoa certa para iniciar esse novo capítulo – desenvolvimento de software e hardware como uma única coisa.

Aliás, essa nova visão da Apple – pós-Forstall – de que o design é a combinação do desenvolvimento de software e hardware é a melhor estratégia. A Apple sempre vendeu a ideia de que seu hardware e software foram feitos para viverem juntos, nada mais certo do que o desenvolvimento seguir uma mesma liderança.

Agora, com esse primeiro gosto do iOS 7, é difícil não perceber a influência dos anos de hardware design do Ive. Veja que com o hardware, design é limitado pelas fronteiras da física, como peso, densidade, tamanho, conexões etc., enquanto o software não precisa enfrentar tais limites.

Neste sentido, a concepção do iOS 6 aproveitou a falta destes limites, conforme se pode ver quando se abre um pasta de apps no tela inicial e vemos a textura de linho “por baixo”, do mesmo jeito que vemos esta textura “por cima” ao puxar para baixo a Central de Notificações. Não há uma limitação física que impedisse isso, ao contrário se fosse uma questão de hardware, o que me faz entender que o atual iOS 6 não tem um conjunto de regras lógicas na implementação do UI. Na verdade, parece que a Apple não se preocupou com uma lógica conceitual na implementação da interface do usuário até agora.

A grande preocupação era criar uma transição fluida entre o mundo físico (de alavancas, botões, texturas, interfaces que simulam objetos reais) e o mundo virtual (simulações num único material – a tela sensível à multitoques de vidro). O tal skeumorphism digital.

Com o iOS 7, tudo muda. O sistema é baseada em regras. Na apresentação na WWDC, vimos que o novo sistema é baseado em uma série de camadas num eixo Z, também vimos uma drástica redução do uso de texturas e visuais 3D. Entretanto, não pensem que o iOS 7 é mais simples por isso. A tridimensionalidade ainda está presente, mas não é apenas visual, há uma lógica por trás do uso da profundidade conferida pelo 3D, que é alcançada a partir do uso de camadas translúcidas.

O sistema usa  translucidez não como um elemento visual tão somente para mostrar novidade, mas para proporcionar um senso de lugar ou localização. Quando se puxa o novo painel do Control Center (que controla ajustes como modo avião, bluetooth, AirDrop, controles de música etc.) por cima da tela inicial, vemos um painel translúcido que serve, exclusivamente, para mostrar que não fomos à nenhuma tela ou lugar novo, que estamos no mesmo lugar, com uma camada nova de informação (temporária) por cima.

Apenas com este exemplo, podemos ver que existe um sentido de lugar, profundidade e espacialidade no iOS 7, exatamente como o hardware nos faz sentir. A coisa parece real ou dá essa clara impressão de fusão com o software, e não mais apenas pixels processado numa tela de vidro. E, como disse no começo, parece que Ive partiu do mesmo raciocínio utilizado na concepção do hardware: o sistema segue regras lógicas, ainda que não sejam limitadas à física.

Claro que vejo que o iOS 7 ainda precisa evoluir bastante. Achei os ícones um pouco desconectados com toda a ideia de translucidez, tridimensionalidade e profundidade. O sistema ainda é um grande esqueleto e sofrerá uma grande evolução e lapidação até ser lançado para os mortais no fim de Outubro.

Um coisa é certa, a base conceitual do iOS7 corrige todos os excessos encontros na estética do iOS anteriores, excessos estes que são provenientes de Steve Jobs e seu amor pelas texturas de tecidos, madeiras, couros e que foi levada à risca por Forstall. Se posso explicar com uma só palavra o que vejo como objetivo do iOS 7 escolheria a palavra elegância.

O que eu tiro de tudo isso (ainda que seja o começo de um novo capítulo) é que o software e o hardware são e serão vistos com uma única grande peça. Software e hardware são os dois lados de uma mesma moeda.

Na Apple não existe mais design de hardware e design de software. Apenas design.

Ω

R.I.P. Richard Matheson

No último dia 23 de Junho, faleceu Richard Matheson, autor conhecido pelos contos de terror, ficção científica com uma pegada apocalíptica, tendo como obra mais conhecida Eu Sou a Lenda, de 1954, que conta a história de um homem que foi o único sobrevivente não-infectado por uma bactéria mortífera.

Com histórias de terror, Matheson praticamente deu início à uma geração de escritores de ficção científica, terror e gêneros afeitos a narrativas “apocalípticas” e de “zumbis”. Ray Bradbury (autor do distópico Fahrenheit 451) considerava-o um dos mais importantes escritores do século 20, e Stephen King (autor da série Dark Tower) dizia que Matheson foi a maior influência de sua carreira.

Vários de seus contos e romances foram transformados em filmes, especialmente o Encurralado (Duel, 1971) dirigido pelo ainda jovem e inciante Steven Spielberg, e Eu Sou a Lenda (I Am Legend, 2007) de Francis Lawrence. Ainda, a telessérie The Twilight Zone foi recheada de roteiros de Matheson. Aliás, dos episódios de Além da Imaginação, teve a recente adaptação aos cinemas com Gigantes de Aço (Real Steel, 2012) de Shawn Levy estrelando Hugh Jackman.

Se tiverem curiosidade para conhecer a obra de Matheson, sugiro ler ou assistir I Am Legend, Duel ou Real Steel.

Ω

Milhares de ‘Nãos’ para cada ‘Sim’

Após assistir o início da campanha institucional ‘Designed by Apple in California‘, rapidamente veio à mente a melhor campanha até hoje ‘Think Different‘ e o melhor de tudo é que ambas marcam o início de um novo capítulo da companhia e vieram em momentos de dificuldade.

A propaganda ‘Think Different‘ foi direcionada à própria Apple. Steve Jobs tinha acabado de assumir uma companhia em frangalhos e à beira da falência e fez de tudo para lembrar a todos os empregados o quão eram especiais. Aquilo serviu para motivar a Apple, lembrar que a companhia era única e que estava na hora de fazer algo diferente. De lá para cá vimos a Apple mudar a história e iniciou um novo capítulo com a criação de sucessos como o iMac, Macbooks (Pro, Air…), iPod, iPhone e iPad e sistemas como o OS X e iOS.

Designed in California‘ deve ser visto sob a mesma luz. A propaganda também é para a Apple e serve para lembrar aos seus empregados que a companhia não faz tudo e qualquer coisa, mas sim poucas coisas com um único objetivo: torná-las perfeitas, desde que sejam perfeitas para nós.

There are a thousand “no’s”

For every “yes.”

We spend a lot of time

On a few great things.

Until every idea we touch

Enhance each life it touches.

Este é o novo capítulo de uma empresa admirável. Vale a pena acompanhar.

Ω

Experimental Prototype Community of Tomorrow

Não sei se sabem, mas antes de Walt Disney “morrer” em 1966, vítima de câncer de pulmão, o Experimental Prototype Community of Tomorrow, ou o acrônimo EPCOT, era um conceito desenvolvido pelo próprio Disney para ser uma cidade planejada num terreno gigantesco comprado perto de Orlando, na Flórida, com o objetivo de ser uma “comunidade do futuro”. A ideia era estimular as grandes corporações americanas para desenvolverem novas e audaciosas idéias para a vida urbana.

Em Outubro de 1966, Walt Disney disse:

EPCOT will take its cue from the new ideas and new technologies that are emerging from the forefront of American industry. It will be a community of tomorrow that will never be completed. It will always be showcasing and testing and demonstrating new materials and new systems.

O EPCOT original era o coração de um plano maior chamado de Project X (hoje Walt Disney World Resort) e seria o epicentro do mundo de Disney como uma cidade modelo para desenvolver projetos e ideias pensando no futuro, especialmente abordando questões como aumento de escala na produção de comida, formas alternativas de transporte, desenvolvimento de novas tecnologias de comunicação.

Curioso que a ideia original do EPCOT nasceu no início da década de 1960, quando Walt Disney já gozava de enorme sucesso na indústria de entretenimento (Walt Disney Productions já era a maior produtora de filmes do planeta, depois se transformou na Walt Disney Company), e a sua família começava a crescer com muitos netos. Os netos, essencialmente, foram o primeiro passo para a concepção do EPCOT, pois ao assistir seus netos crescerem, Walt começou a se preocupar com o mundo em que eles viveriam. Walt via o crescimento desordenado, agitado e violento da California como problemas sérios.

Mas antes do projeto EPCOT começar a ser desenhado, Disney construiu o Disneyland Park na Califórnia, já dando uma amostra da visão que tinha de senso de comunidade e futurismo. Em seguida, Disney começou a perceber que os seus Imagineers (engenheiros sinistros responsáveis por imaginar e conceber as atracões da Disney) tinham acumulado conhecimentos sobre edifícios e relações espaciais em relação às pessoas no desenvolvimento da Disneyland poderia ser colocada em uso em comunidades planejadas e até mesmo cidades inteiras.

A idéia de criar uma cidade perfeita parecia – e era – tão sensacional que Disney começou a se dedicar profundamente sobre planejamentos de cidade e baseou o Project X e EPCOT no livro Garden Cities of To-morrow, de Sir Ebenezer Howard. Disney fez de tudo para transformar o conceito que tinha em mente em realidade.

Além de sensacional, a magnitude do conceito do EPCOT era tão surreal que Walt Disney não queria a intervenção do governo em nenhum aspecto do projeto e chegou a solicitar que a Walt Disney Productions tivesse jurisdição municipal sobre a terra que haviam adquirido. Só assim Walt Disney poderia ter total controle sobre todas as partes da propriedade, até na forma como os edifícios seriam construídos e todos os aspectos de planejamento que uma cidade necessitava. Disney estava planejando novas idéias na vida urbana e não queria a mão do governo metida no seu sonho. Assim nasceu Reedy Creek Improvement District.

A evolução final do EPCOT foi para o parque temático que todos conhecem hoje em dia. Agora, penso se Walt Disney teria ficado feliz com o resultado ou se sentido traído com a deturpação do conceito original.

Se tiverem curiosidade para ver os planos originais do EPCOT, sugiro visitarem o Tomorrowland Transit Authority PeopleMover no Magic Kingdom. Se não rolar de visitar agora, podem comprar o livro Designing Disney’s Theme Parks: The Architecture of Reassurance que é uma abordagem extensiva da construção dos parques, mostrando muito dos conceitos e planos originais de Disney.

Ω

Neymar. Ano Zero.

Sempre defendi a necessidade dos “craques” do futebol nacional irem para o exterior e experimentarem outras defesas, outros gramados e outras competições. A novidade sempre será tanto empecilho ou oportunidade. Os medíocres cairão frente ao novo justamente por conta de medo, já os grandes triunfarão frente ao desconhecido e vão colher as glórias do mundo do futebol.

Neymar é o mais qualificado a ganhar, de uma vez por todas, o mundo do futebol. Ficar no Santos ad eternum, fazia sentido na época do Pelé, agora não mais. Neymar precisa se aventurar num futebol que não conhece os atalhos e nem as malandragens. Ele só tem a ganhar, seja com um aumento de qualidade no futebol jogado, como os milhões de dólares e lambos e ‘raris da vida. Bruna Marquezine já era, ao meu ver.

Se eu tivesse na pele dele, uma das cláusulas do meu contrato com o Barça seria a entrega de uma LaFerrari no dia da apresentação.

E, mesmo que não costumo curtir muito o que o Lédio Carmona fala, dessa vez gostei do que li na visão dele sobre o mesmo assunto, em especial no trecho abaixo:

Neymar nunca dirá que quer ir embora. Ele é tão grato a quem lhe estendeu a mão, que não tem coragem de dizer que pensa em mudar. Mas o desejo está estampado no seu semblante. No sorriso que era escancarado e agora é quase técnico e frio. E não existe melhor momento para isso. Tanto Barcelona, Real Madrid, Manchester United e Bayern Munique começarão novos ciclos. E Neymar terá o privilégio de chegar no marco zero de qualquer um desses clubes. A hora é essa. E será bom para todos. Foi excepcional enquanto durou.

Foi bom mesmo. Mas chega. Vai zoar os gringos agora.

Ω

 

Borda de alumínio do Nokia Lumia 925

Vejam como a Nokia é recheada do mais puro bullshit:

One feature distinguishing the 925 from other Lumia phones is the aluminium frame around the edge, which also works as an antenna.

Um frame de alumínio que serve, também, como antena, assim como era o iPhone 4. Isso vindo de uma companhia que cagou regra na época do Antennagate dizendo que eram os pioneiros e especialistas em design de antenas internas, e que não comprometeriam a performance de um aparelho pelo design. Quer dizer que agora pode?

#sefudêneguinho.

Ω

Teoria McDonald’s

Jon Bell, autor do What I Learned Building…, usa um truque com seus colegas de trabalha quando estão tentando decidir em qual restaurante vão almoçar mas ninguém tem ideia aonde ir. Ele sempre recomenda McDonald’s.

Só de mencionar os Arcos Dourados, todos no grupo decidem em uníssono que McDonald’s não rola e, seguidamente, começam a sugerir outros destinos diferentes do restaurante do palhaço de cabelo vermelho (aterrorizador, se pensar que o McDonald’s tem como público-alvo a molecada… divagando…).

A idéia por trás deste “truque” é quebrar a inércia de um grupo que precisa decidir e ninguém tem, aparentemente, coragem de dar o primeiro pitaco. Sugerir um lugar que vende a comida mais não-saudável (não menos delícia se pensar no Big Mac…), “automagicamente” (obrigado Steve) faz com que as pessoas reajam sugerindo algo melhor. Ou seja, sugerir uma idéia merda que envolve todos num grupo gera a necessidade alguém sugerir algo melhor, claramente por uma preocupação pessoal, mas que se estende ao  grupo:

An interesting thing happens. Everyone unanimously agrees that we can’t possibly go to McDonald’s, and better lunch suggestions emerge. Magic!

It’s as if we’ve broken the ice with the worst possible idea, and now that the discussion has started, people suddenly get very creative. I call it the McDonald’s Theory: people are inspired to come up with good ideas to ward off bad ones.

Em resumo, o grande problema que é resolvido com esta teoria é a dificuldade de se “dar o primeiro passo”, especialmente quando se trata de um processo criativo. A Nike já sabe disso com o slogan “Just Do It” e parece que Steve Jobs já entendia isso também, como lembrou o próprio Jon Bell:

Go!

Genial. Apenas uma palavra tem o potencial de fazer você dar o primeiro passo sem medo e de se sabotar.

Se pensar bem, a dificuldade de dar o primeiro passo pode ser visto em qualquer lugar, desde o processo criativo até chegar numa mina na noitada. Quantas vezes me vi pensando e repensando no que falar para chegar junto triunfalmente e quando me dei conta, outro malandro já tinha “ido”. Ainda bem que entendi como dar o primeiro passo sem overthink, mesmo que inconscientemente, e fiz uma blitzkrieg e conquistei a linda Renata Pitta, que é uma consultora de imagem e estilo e que não pode perder tempo com overthink.

Se ligaram como fiz um merchan de leve para a minha esposa? Aliás, chequem o trabalho dela, recomendo.

Ω